domingo, 5 de maio de 2019

Viagem de Estudos Arqueológicos: do Antigo ao Novo Testamento – de 5 a 19 de abril de 2019

Antes crescei na graça e no conhecimento de nosso
 Senhor e Salvador Jesus Cristo.
A Ele seja dada a glória, assim agora, como até o dia da eternidade. 
(2 Pedro, 3.18) 

A viagem é a concretização de um projeto das Faculdades EST e do Instituto Brasileiro de Teologia. O projeto surgiu no Programa de Pós-graduação e Pesquisa da Faculdades EST e contou com a assessoria dos professores Ms. Verner Hoefelmann (EST) e Doutorando Tiago Samuel de Carvalho (IBT, EST). Além disso, a viagem contou com assessoria de professores ou Arqueólogos de Israel. Ao fim do curso, cada integrante do grupo foi certificado pela EST e IBT. Antes da viagem, o programa contou com uma preparação prévia, através de uma sala do Ambiente Virtual, no qual foram postados textos de preparação para cada local a ser visitado.
A Escola Superior de Teologia/EST é um importante centro de formação e pesquisa no Brasil e um dos mais conceituados da América Latina. Ela tem como objetivo geral promover a formação acadêmica e fomentar a pesquisa científica no campo das ciências humanas, sociais aplicadas, linguística, letras, artes e saúde. A EST também oferece cursos de Graduação, Especialização, Mestrado e Doutorado em Teologia avaliado pela CAPES com nível de Excelência Internacional.

1º Dia – 05 /04 – São Paulo / Londres
Aeroporto Internacional de Guarulhos, para embarque no voo com destino a Londres.

2º Dia – 06/04 – Londres / Cairo
Chegada ao Aeroporto de Londres. Após trâmites de imigração, City Tour Panorâmico com parada para fotos nos principais ícones londrinos. Retorno ao aeroporto e providências de reembarque com destino à Cidade do Cairo - EGITO. Recepção pelo representante local e traslado ao hotel. Hospedagem e jantar.

-Segue um registro imagético da estada em Londres, num dia de primavera.














Agora, é preciso entender a passagem pelo Egito rumo à Terra Santa!
O EGITO DE DEUS: A IMPORTÂNCIA DO ANTIGO EGITO NA HISTÓRIA DE ISRAEL
                                                                                       (Daniel Henrique Strege)
Israel não foi um povo que surgiu sozinho e isolado dos demais povos e culturas. Israel se tornou um povo e depois nação, porque conviveu com outros povos. Toda a sua história foi marcada por contato com outros povos, contatos às vezes bons, e muitas vezes ruins. Mas foi através destes contatos, destas relações que Israel foi se identificando como sendo um povo diferente.
Para entender o desenvolvimento e amadurecimento de Israel, é importante também conhecer esses outros povos que conviveram com ele. Assim, o primeiro material a que se pode recorrer é a Bíblia. Mas, na Bíblia há poucos relatos contando exatamente quem eram, o que faziam e como viviam esses povos que influenciaram os israelitas. Há apenas alguns relatos mostrando a visão que os próprios israelitas tinham da situação, e essa visão não ajuda muito a entender esses povos, e principalmente a influência que exerceram sobre Israel.
Por isso, este trabalho tem a função de aproximar o leitor um pouco de uma das culturas que influenciou grandemente o povo de Israel, o Egito. Através dos resultados de uma pesquisa nas áreas histórica, teológica, geográfica e política, o leitor conseguirá entender e conhecer melhor essa grande civilização, como também poderá assimilar melhor a importância da estada dos israelitas no Egito e o próprio evento Êxodo para o desenvolvimento da história de Israel.
1 EGITO
Para se falar do Êxodo e das influências recebidas pelos descendentes de Israel por parte dos egípcios, é necessário contextualizar e analisar o ambiente no qual toda essa trama aconteceu. Assim, por intermédio dos relatos bíblicos, da história e da arqueologia, serão abordados os aspectos culturais, históricos, geográficos políticos e demais fatores egípcios que incidiram sobre a história do Êxodo.
1.1 Contextualização.
Antes de abordar os aspectos mais relevantes do Egito, é necessária uma contextualização dos relatos bíblicos com o auxílio da história e da arqueologia.
1.1.1 Contextualização bíblica – um breve resumo dos principais acontecimentos da história israelita.
Segundo a narrativa bíblica, a história do povo de Israel no Egito começa com a pessoa de José (Gn 37-50), filho favorito de Jacó (Israel), o qual é vendido pelos próprios irmãos a uma caravana de mercadores ismaelitas, e acaba indo trabalhar na corte do rei do Egito (faraó). Reviravoltas acontecem na vida de José, e assim, de escravo passa para um cargo de alto funcionário da guarda real, é feito prisioneiro injustamente, e a partir da prisão se torna governador (grão vizir) do Egito, o segundo em questão de poder no país, menor somente em relação ao próprio faraó.
Uma grande seca ocorre por toda a região próxima ao Egito. Mas o país havia sido preparado por José para enfrentar esse período de fome, armazenando muitos grãos em diversos silos pelo país. Além disso, a situação no delta do Nilo torna a região menos dependente do regime de chuvas. Assim, quando a fome abalou os países vizinhos, muitas pessoas foram ao Egito em busca de alimento.
Entre os que buscavam alimento, estavam os familiares de José, mais especificamente seus irmãos. José os reconhece, e aos poucos reestabelece o contato com eles, como também com seu pai, Israel. E assim, com o favor do faraó, Israel com seus filhos, noras e netos passam a residir no Egito, onde puderam viver mais próximos de José e onde se tornou uma ‘grande nação’9, como havia sido prometido a Abraão há muitos anos antes.
Conforme a narrativa bíblica, esses hebreus ficaram no Egito por aproximadamente 430 anos. Mas, a narrativa bíblica não dá detalhes do que aconteceu neste meio tempo com os descendentes de Israel enquanto estavam ali. Apenas diz-se que subiu ao trono do Egito um novo rei que “nada sabia sobre José” e que subjugou o povo de Israel a uma forma de trabalho forçado, como qual não havia sido anteriormente. Os israelitas foram forçados a construir as cidades-celeiro de Pitom e Ramessés, como também a trabalhar na produção agrícola de forma forçada.
Em meio a essa situação de pressão que os israelitas viviam surge Moisés, um israelita que foi cuidado pela corte do faraó e cresceu nela. Moisés, após ter uma experiência com Deus por meio de uma sarça, recebe a missão de liderar a saída dos israelitas do Egito rumo a Canaã.
Segundo a narrativa bíblica, o faraó foi desafiado por Moisés e seu irmão, de nome Arão, a deixar os israelitas saírem. Mas, os israelitas compunham já uma grande parcela da população, e deixar todas estas pessoas saírem, apresentaria uma grande perda econômica para o país, pois a mão-de-obra israelita era essencial tanto para a construção como para as atividades agrícolas. A saída dos israelitas também poderia significar uma fraqueza no governo exercido pelo faraó. Por estes motivos o faraó se mostrou contrário à ideia de liberdade israelita.
A partir daí, por intermédio de Deus, o Egito é assolado por uma sequência de pragas que atingem e abalam toda a vida social, econômica, religiosa e política do país. Assim, após a chegada da última praga, os israelitas são liberados para saírem do Egito, e então ocorre o conhecido ‘Êxodo’ israelita pelo deserto em direção à terra de Canaã.
Após este apanhado bíblico da História de Israel no Egito, cabe aqui perguntar onde este evento do Êxodo se encaixa na história do próprio Egito.
A história do Egito Antigo pode ser dividida em três grandes períodos: Antigo império (3200-2100 a.C.), Médio Império (2100-1580 a.C.), e Novo Império (1580-715 a.C.). O Antigo Império é talvez um dos mais importantes períodos da história egípcia. A partir de 3200, o rei Menés unificou os dois reinos (do sul e do norte) sob o seu comando e criou assim um único Estado. Neste período o país passou por grandes desenvolvimentos na tecnologia, arte, arquitetura, como também na escrita. Neste período também foram construídas as famosas pirâmides e a grande Esfinge que permanecem até os dias de hoje.
Em seguida houve um período de grande instabilidade no país, provocada por uma falta de cheias do Nilo, que resultaram em uma grande escassez de comida e um consequente declínio político, visto que a estabilidade do país era função do rei do Egito (faraó). Após esta instabilidade o país passou pelo período chamado Médio Império, um período de restauração política e econômica. A produção agrícola teve um grande avanço, e a riqueza mineral se tornou um grande potencial do país.
Destaca-se neste período também a adoração de Osíris, o deus da morte e da revivificação por todo o Egito.
Após esse período de estabilidade e crescimento econômico, uma forte crise se instalou no país. Tal crise também se acentuou devido à ocupação dos hicsos, vindos da região de Canaã. Até então os egípcios não haviam passado por qualquer forma de ocupação por inimigos, isso graças à geografia do continente que fornecia ao país ‘muralhas naturais’, e o mantinha, de certa forma, protegido.
A última fase clássica do Antigo Egito é denominada Novo Império, e esta fase é de extrema importância para a contextualização do êxodo israelita, pois comporta todos os acontecimentos narrados anteriormente do povo de Israel enquanto estiveram em terras egípcias.
O Novo Império tem início com a expulsão dos hicsos por Ahmose I, fundador da XVIII dinastia egípcia. A XVIII dinastia foi na história do Egito uma das mais importantes e a talvez a mais diversificada, pois por meio dela o Egito estendeu seu território até a Síria-Palestina. É nesta dinastia que se encontra também Amenófis IV (1353-1337 a.C.) conhecido mais popularmente como Akhenaton. O faraó que disseminou pelo Egito uma fé monoteísta, a adoração do disco solar (Aton), o deus primordial que criou o universo, e que um dia iria destruí-lo fazendo com que a terra voltasse às águas primordiais.
Segundo uma das teorias mais aceitas pelos historiadores, foi também durante a XVIII dinastia que o povo de Israel esteve no Egito. Esta teoria se baseia em cálculos feitos a partir de outros textos bíblicos. O texto base desta teoria se encontra no primeiro livro de Reis, que diz: “quatrocentos e oitenta anos depois que o povo de Israel havia saído do Egito, no quarto ano do reinado de Salomão...”. É sabido que o quarto ano do reinado de Salomão corresponde ao ano de 967 a.C., sendo assim, o Êxodo seria datado do ano de 1447 a.C. Desta forma, a saída do povo de Israel do Egito ocorreu sob o reinado de Tutmosis III (1479-1425), um faraó da décima oitava dinastia, responsável por realizar dezoito campanhas militares pela Síria-Palestina, ampliando o território egípcio até o rio Eufrates. Ele é conhecido como “o maior líder militar da história egípcia, ele estabeleceu um poder absoluto no Egito”.
Datar o êxodo nesta época explicaria muito bem a situação de opressão narrada no texto bíblico. Tendo em mente que o faraó teria feito cerca 18 campanhas militares longas pelo interior da Síria-Palestina, seriam necessários muitos recursos/mantimentos como também mão de obra barata para a produção dos mesmos. Assim, os hebreus que ali viviam eram fundamentais para manter as campanhas feitas pelo faraó, e dificilmente seriam liberados do Egito com facilidade.
Outra data provável para o Êxodo é 1270 a.C. Os estudiosos que defendem ser esta a data mais aceitável, baseando-se também em textos bíblicos. Segundo o livro de Êxodo, “os israelitas construíram para o faraó cidades-celeiros chamadas Pitom e Ramessés. O nome Ramessés pode, sem dúvida nenhuma, ser associado a Ramsés II (1279-1213 a.C.) o maior faraó da décima nona dinastia do Egito.”
O Segundo argumento é que: Os israelitas viviam na terra de Gósen, na região leste do Delta. Como Êxodo 7.23 indica, o faraó possuía um palácio nessa região. A capital de Ramsés era Pi-Ramesse, um local conhecido hoje como Qantir, situado no Delta, enquanto a capital da décima oitava dinastia era Tebas, centenas de quilômetros ao sul do Delta.
Assim, não se pode dar uma reposta definitiva sobre qual das datas é a correta para o Êxodo. Mas sabe-se que ocorreu entre a metade e o início do segundo milênio antes de Cristo (1450-1270 a.C.), entre a XVIII e XIX dinastias egípcias.
Tendo em vista o vasto território que o império egípcio possuía, principalmente durante a XVIII e XIX dinastias, é salutar abordar neste trabalho o contexto geográfico que lhe permitiu se tornar tão grande, e conhecido por ser o ‘celeiro do mundo antigo’.
Como já dizia Heródoto, “o Egito é uma dádiva do Nilo”. O Egito se constituiu como um país unificado aproximadamente em 3000 a.C., ao redor do Rio Nilo e foi somente por meio do rio Nilo que o Egito pode existir, como disse a repórter e jornalista Sônia Bridi, “O Egito é o Nilo, o resto é o imenso Saara”. O Egito era cercado por imensas áreas desérticas que lhe proporcionavam uma espécie de muralha natural contra invasão de outros povos, pois nenhum exército subsistiria atravessando um imenso deserto como o Saara. Essas defesas naturais fizeram com que o Egito não precisasse se preocupar tanto com defesas, tanto é que dos povos antigos, o Egito é o único povo que não investiu em muralhas para o seu território. Os únicos modos de se invadir o Egito eram pela linha do crescente fértil, ou então pelo próprio mar Mediterrâneo, pois pelo oeste e sul havia o grande Saara e pelo leste o Mar vermelho com uma imensa cadeia de montanhas altíssimas fazia uma defesa imbatível para o território egípcio.
Falando da geografia do Egito, é necessário nos aprofundar mais no próprio Rio Nilo, pois é a sua volta que o Egito se tornou um grandioso império.
O Rio Nilo é o rio mais longo do mundo, alcançando cerca 6.670 km de extensão. Tinha suas cheias anuais em setembro, quando o rio trazia consigo toneladas de sedimentos que iam se assentando por toda a margem do rio. Conforme as águas iam baixando os campos começavam a ser plantados e como não era necessário adubar a terra, pois o próprio rio já havia feito este serviço, a agricultura ao redor do Nilo se tornou grandiosa, muito antes do que em qualquer outro lugar do mundo (no Egito já se trabalhava com agricultura em longa escala muito tempo antes dos israelitas chegarem lá). Assim, em março era feita a colheita, um tempo antes da redução máxima do volume de água do rio, que ocorria em maio.
O Egito vivia praticamente da agricultura, deste modo, quando começava a temporada de chuvas/cheia do Nilo, as pessoas não tinham o que fazer, então trabalhavam para o faraó, principalmente nas construções. Foi desta maneira que surgiram as grandes pirâmides, a esfinge, e segundo o que a própria Bíblia deixa a entender, foi desta maneira que viveram os israelitas no Egito: ‘E assim os israelitas construíram para o Faraó as cidades-celeiros de Pitom e Ramessés’ (Êxodo 1.11a. NVI), ao menos no período da opressão.
Pitom e Ramessés, as cidades construídas pelos israelitas, faziam parte de uma região conhecida nos relatos bíblicos como “Gósen” e em alguns relatos como “Zoã”. Esta região ficava ao norte do Egito, a leste no delta do Nilo. Segundo o relato bíblico, era considerada umas das melhores terras da região, principalmente porque era altamente irrigada pelos diversos braços do Nilo. Assim, era muito propícia para a criação de gado, atividade da qual viviam os israelitas em Canaã.
Assim, pode-se ter em mente que o povo de Israel gozou de certa estabilidade econômica e social durante sua estada no Egito, ao menos enquanto José era vivo, estabilidade talvez nunca desfrutada antes, desde o chamado de Abraão. Uma prova disso é que o próprio José viveu cento e dez anos de idade,40 uma idade muito superior à que o próprio Antigo Testamento colocava como idade normal de velhice, que era cerca de setenta a oitenta anos.
1.2 Cultura, religião, economia, política e organização social egípcia.
Existem ainda outros pontos de fundamental importância a serem abordados sobre o Egito. Entre eles, a própria figura do faraó.
O faraó, nome dado pelos hebreus na tentativa de pronunciar o nome egípcio Per-Âa, se tornou a autoridade máxima de todo o Egito em 3000 a.C. aproximadamente, quando o Rei Menes uniu o Baixo e o Alto Egito sob sua autoridade. Este nome ‘Per-Âa’, no Egito significava ‘casa grande’, se referia ao palácio onde ficava o rei do Egito “sede da administração, de onde tudo emana e para onde tudo converge.” Assim, o nome do palácio acabou designando a função daquele que ali morava: o faraó, ou Per-Âa do Egito.  
Diferentemente dos demais povos antigos, o rei do Egito não tinha apenas a função de governar seu território. O título de faraó carregava em si tanto aspectos sociais como religiosos. O faraó não era um simples ser humano com poder, ele era tratado como um deus, considerado a própria encarnação do deus Hórus. “O rei não tem apenas origem divina; ele é a expressão do próprio deus. Mais que senhor dos exércitos ou supremo juiz, o faraó é o símbolo vivo da divindade.”
A pergunta é: como ele pode ser a encarnação de um deus, se não é imortal, se possui a longevidade como a de um ser humano normal? Se o faraó era sepultado como os demais egípcios, de que forma Hórus sempre reencarnava nos próximos faraós? A solução era a seguinte: a divindade (Hórus) não está na ‘pessoa’ do faraó, mas sim na sua coroa, no seu ‘cargo’, assim, quando um faraó morre e outro assume o seu cargo, o Hórus, que estava no outro faraó que estava vivo, continua vivo no novo faraó por meio da coroa.
Assim, se faz necessário entender a importância do deus Hórus para o reinado do faraó. Hórus faz parte de uma tríade ou ‘trindade’ de deuses composta por ele (Hórus), Ísis e Osíris.
No Egito muito antigo, Osíris reinava absoluto sobre o Egito. Osíris tinha um irmão chamado Seth, que invejava o trono do irmão (Seth é considerado o deus do caos e da desordem). Em determinado momento Seth mata Osíris, o esquarteja e jogo os membros de seu corpo no rio Nilo, transformando todas as águas do Nilo em sangue. Ísis, esposa de Osíris, quando vê as partes do marido dispersas pelo Nilo, chora desesperadamente e procura por todo o rio todos os membros para reconstruí-lo. Viaja por todo Nilo juntando as partes do marido, mas acaba não encontrando seu membro viril. Assim, o substitui por um junco, e tem uma relação com ele. Deste relacionamento então nasce Hórus. Enquanto Osíris estava morto, Seth assumiu o governo do Egito e o regeu com caos e desordem. Hórus nasce, cresce, e parte em vingança contra Seth, pela morte de seu pai, e o expulsa do Egito, reestabelecendo a ordem e a justiça do mundo (Egito). Assim, para os egípcios o Egito é o mundo, e é governado por Hórus que se reencarna na pessoa do faraó. Fora do Egito existe o caos e a desordem e é onde Seth habita.
Essa teologia por trás do cargo do faraó lhe dava uma autoridade e uma responsabilidade como qualquer rei de outro povo jamais teve ao longo da história. A principal responsabilidade do faraó era manter a ordem no país, a ordem social, política, e mesmo da natureza. O faraó somente conseguia fazer isso por meio do culto dos deuses, ou seja, tinha de manter os deuses fortes através do culto para que o Egito não fosse dominado pelo caos e a desordem.
O faraó possuía poder absoluto e este poder o tornava responsável também pelas cheias e as secas do Nilo, que eram fundamentais para a agricultura. Tendo em mente a geografia do Egito, predominantemente dominada por desertos, onde raramente se via chuva (pois estas ocorriam na cabeceira dos rios que formam o Nilo, e as cheias se davam também pelo derretimento da neve no topo das montanhas a leste do Nilo), as pessoas, principalmente ao norte do Egito, não tinham como explicar de que maneira ocorriam as cheias e secas do Nilo. Assim, era claro para eles que tanto a cheia quanto a estiagem eram acontecimentos divinos, que não se podia explicar. Portanto, aí cabia a função do faraó: garantir que o Nilo tivesse o seu ciclo normal durante todo o ano, pois se o faraó falhasse na sua função de manter a ordem, todo o Egito ficaria sem produção, o que resultaria em uma grande catástrofe, trazendo fome, miséria e um enorme enfraquecimento do império. E o interessante na história do Egito é que períodos de grande crise na agricultura, por falta ou excesso de chuvas no Nilo, foram os momentos que geraram grande instabilidade política, por exemplo, a invasão dos hicsos no período entre o médio e o novo império que foi precedida por um enfraquecimento do país, devido a um grande período de seca, que afetou o Nilo.
Mas o faraó não ficava somente em seu palácio atuando e dando ordens, “O rei era também chefe militar”, diz Pinsky falando ainda sobre as funções que cabiam ao faraó desempenhar no seu governo. No Antigo e Médio Império, o Egito se manteve mais isolado, apenas resguardando o cuidado e a ordem do território que possuía. Mas “no Novo Império o Egito torna-se expansionista, desempenhando papel militar e político na região.” Têm destaque os faraós Ramesés II e Tutmés III, que conseguiram levar o império egípcio até as bordas do rio Eufrates. Como já foi dito, é fato que o rei do Egito não era como os demais reis dos outros povos antigos. “O faraó é, além de sumo sacerdote e chefe militar, o juiz supremo, aquele que decide as petições em última instância.”
Anteriormente falou-se sobre o ciclo natural do Nilo.Este ciclo de cheia e estiagem, plantação e colheita que o Nilo fornecia também era a base para o sistema social no qual os habitantes do Egito viviam, principalmente camponeses e estrangeiros. Estes, camponeses e estrangeiros, estavam estritamente ligados à produção econômica do Egito. Eram os responsáveis pela agricultura.
A agricultura significava praticamente todo o poder do Egito. Sem ela o Egito era um país fraco e desprotegido, sujeito à extinção. As colheitas feitas nas margens do Nilo garantiam o sustento de toda a população do Egito durante o período de seca intensa. Assim, por mais que o representante máximo do poder do Egito fosse o faraó, aqueles que asseguravam a grandeza do império eram os agricultores. Isto porque os agricultores não trabalhavam somente com a agricultura. Como já mencionado anteriormente, no período de cheias do Nilo, os camponeses, juntamente com os estrangeiros, eram obrigados a trabalhar nas construções do faraó. Ou seja, os camponeses, como também os estrangeiros (aqui enquadram-se também os israelitas) não eram totalmente livres, mas também não eram escravos no sentido como se entende a escravidão hoje em dia (por exemplo a escravidão a qual foram submetidos os africanos e os indígenas no período colonial no território brasileiro). Tecnicamente falando, os israelitas, como também os camponeses do Egito, viviam sob um regime de corveia. Mas para o povo israelita, que possuía uma vida de nômade em Canaã, ser obrigado a prestar serviço gratuito a um senhor por um longo tempo era uma forma de escravidão. E este aspecto de escravidão se torna ainda mais acentuado nos últimos anos de estadia no Egito, pois pelo que o texto bíblico deixa a entender, os israelitas viveram confortavelmente no Egito por longos anos até serem de fato oprimidos pelo poder de um novo governante.
Forma de governo amplamente utilizada na idade média que consistia na prestação de trabalhos gratuitos por parte dos servos ao senhor Feudal para obtenção de parte ou uso de terras do feudo.  
Assim, pode-se ter uma básica noção do contexto no qual os hebreus viveram quando estiveram no território egípcio. Ao que o relato bíblico e a própria história indica, na maior parte do tempo em que estiveram povoando o Egito, os israelitas gozaram de certo conforto e estabilidade, podendo se desenvolver e crescer recebendo o cumprimento da promessa que Deus havia dado a Abraão de que se tornaria uma grande nação
2 O SIGNIFICADO DO EGITO PARA ISRAEL
A estada no Egito foi de fundamental importância para a história do povo de Israel. Foi a partir dali que começaram a se entender como um povo, e não mais como um mero agrupamento familiar. Ali começaram a ver e entender Deus não somente como um ser divino que promete bênçãos, mas que entra na história para fazer se cumprir as promessas dadas no passado. Veem a face do Deus que se importa com aqueles que sofrem e são oprimidos.
É a partir do Êxodo que começam a crer que existe um Deus mais poderoso do que os demais, ou então que os demais deuses são apenas farsas. É a partir do Êxodo que a relação do povo de Israel se torna mais íntima com Deus e começa a se formar o monoteísmo israelita. O tempo de estadia dos israelitas no Egito fez com que eles percebessem que Deus é o senhor da história e que Ele age de acordo com seus próprios planos, usando até mesmo o mal para fazer o bem, e não deixando impunes aqueles que causam o mal.
2.1 Significado de José para a história dos israelitas –
2.1.1 A promessa de Deus
Sabe-se que a história do povo de Israel começa com a vocação de Deus a Abrão, chamando-o do meio dos seus parentes para uma nova terra, onde se tornaria uma grande nação.
Então o Senhor disse a Abrão: Saia de tua terra, do meio dos seus parentes e da casa de seu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei. Farei de você um grande povo, e o abençoarei. Tornarei famoso o seu nome, e você será uma bênção. Abençoarei os que o abençoarem e amaldiçoarei os que o amaldiçoarem; e por meio de você todos os povos da terra serão abençoados.51
Esta promessa dada a Abraão perpassa toda a história dos patriarcas, o Êxodo, a emancipação de Israel, a monarquia e até mesmo o exílio para a Babilônia. E por que ela é tão importante para se falar do período em que os israelitas estiveram no Egito? Porque foi no Egito que metade desta promessa começou a ser cumprida. Assim, começando pela história de José, vamos analisar como esta promessa se cumpriu.
Israel (Jacó) vivia com seus filhos e familiares em Canaã, a terra prometida por Deus a Abraão. Ali cuidavam de ovelhas e viviam uma vida seminômade, deslocando-se eventualmente para outras regiões onde encontrassem pasto para os rebanhos. A vida deles não era estável, pois algumas vezes topavam com outros pastores, o que gerava contendas, principalmente por causa de água para saciar os rebanhos. Também não podiam possuir muitos bens, pois não tinham estadia fixa, mudavam de acordo com a disponibilidade de alimento e água para os rebanhos. Assim, todos estes fatores contribuíam para que não conseguissem se tornar uma grande nação, como era a promessa de Deus a Abraão.
Onde a história de José se encaixa na história da promessa de Israel? Tecnicamente falando, José não é listado pela tradição do Antigo Testamento como um patriarca, mas apesar disso,
A narrativa de José tem ligações com o material precedente e subsequente, sendo o elo entre as narrativas patriarcais e o relato do Êxodo. José e filho de Jacó que é filho de Isaque, filho de Abraão. A narrativa de José é o relato da continuação da promessa.
É em José que a promessa dada a Abraão começa de fato a ser cumprida. Como já dito anteriormente, Jacó e seus filhos não possuíam muitos bens, tanto pelo fato de não serem tão influentes, como pela vida nômade que levavam, que os impossibilitava de transportar grande quantidade de bens. Como o próprio texto bíblico também já deixou claro, eles não tinham moradia fixa. Tudo isso os deixava muito vulneráveis ao bom andamento do ciclo da natureza. No caso, uma seca muito severa e prolongada nesta região poderia trazer muitos prejuízos econômicos, visto que os rebanhos não teriam o que comer, e eles não possuíam armazém para se prevenir. Além disso, uma seca severa poderia significar o enfraquecimento e até mesmo a morte de muitos membros da família, colocando a promessa de Deus em sérios riscos de não se cumprir. Por isso, na história da vida de José, Deus mostra como é Senhor da história e faz com que as coisas cooperem para o propósito que ele tem.
Em um primeiro instante, parece que José foi afastado da promessa de Deus, pois ao ser vendido pelos seus irmãos, é levado para longe da terra prometida.55 Mas a narrativa deixa clara a ligação de José com a promessa por meio das seguintes afirmações: “o Senhor estava com José” (Gn 39.2), “O Senhor abençoou a casa do egípcio por causa de José.” (Gn 39.5), “mas o Senhor estava com ele e o tratou com bondade” (Gn 39.21).
Também o ‘dom’ recebido por José de interpretar sonhos tem estreita ligação com o cumprimento da promessa. Enquanto estava no meio de sua parentela, José apenas tinha sonhos, talvez profecias do que aconteceria. Mas enquanto esteve no Egito, não era mais ele quem tinha os sonhos, mas sim os egípcios. Deus capacita José para interpretar os sonhos não apenas para que ele tenha uma elevação no seu status, mas para que chegue ao lugar necessário para fazer o que Deus havia planejado: salvar milhares de pessoas de uma seca terrível que assolaria tanto o Egito, quanto Canaã, onde viviam Jacó e sua família. Ao menos é isso que o próprio José diz na ocasião posterior à morte de Jacó: “vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem, para que hoje fosse preservada a vida de muitos.”
2.2 O papel do Egito no cumprimento da promessa
A pergunta agora se torna: por que Deus manda José para o Egito? Segundo o historiador André D. Reinke, dois motivos, no mínimo, fazem o Egito se tornar essencial para a salvação dos israelitas. O primeiro: a função principal do faraó era manter a ordem e a justiça no mundo (reino) para assim garantir uma vida de qualidade para os seus habitantes. Ou seja, o Egito foi escolhido porque possuía, como princípio básico, uma preocupação com a manutenção e o bem estar da vida das pessoas. Em segundo lugar, o Egito foi escolhido por que era o ‘celeiro do mundo antigo’. Através da agricultura do Nilo, era possível produzir uma larga escala de alimentos suficiente para suportar uma forte seca e alimentar uma grande população.
Assim, se torna evidente o porquê da ida de José para o Egito: o Egito era um lugar capaz de sustentar e gestar o povo de Israel, dando-lhe as condições necessárias para que crescesse e se tornasse o grande povo de acordo com a promessa dada por Deus a Abraão. Foi graças ao Egito que os israelitas se tornaram um povo.
2.3 A função do Faraó em Gênesis
Interessante na história de Israel narrada em Gênesis e em Êxodo é que os faraós interferem diretamente de formas distintas na vida dos hebreus. Já se falou sobre a teologia que sustenta o cargo do rei do Egito: ele é o próprio deus Hórus encarnado, responsável por manter a ordem, a justiça e o direito no Egito. O faraó é em tudo um zelador da vida. Por isso, na narrativa de Gênesis, o faraó não é o inimigo a ser combatido, mas sim o aliado a ser buscado. O faraó desempenha nesta fase da história de Israel o papel de salvador.
Ainda mais intrigante é que quem recebe a revelação de Deus sobre os anos de fartura e de fome não é José nem qualquer outro israelita, mas sim o próprio faraó. Deus se revela por meio de sonho a um rei, que intitula a si mesmo o deus encarnado, protetor do Egito, para por meio dele (faraó) gerar salvação à família da aliança, e até mesmo para todo o Egito. José aqui apenas serve como um intérprete da vontade de Deus, traduzindo os sonhos do faraó.
2.3.1 A função do Faraó no Êxodo
Diferente do faraó que se vê na narrativa de Gênesis, o faraó mencionado no livro de Êxodo exerce uma influência diferente sobre o povo de Israel. Em Gênesis via-se um faraó preocupado com a manutenção da vida no Egito, propício aos israelitas, provavelmente em razão do status que o próprio José possuía no Egito. Agora no Êxodo o que se vê é um faraó preocupado, sim, com o bem estar da nação, mas ao mesmo tempo bastante preocupado com o crescimento e proliferação do povo israelita. Um rei que apoia o infanticídio pelo bem da nação e do seu reinado. Assim, a imagem que a narrativa de Êxodo traz do faraó é a de um legítimo opressor.
Novamente na história do povo israelita surge uma ameaça forte o suficiente para impedir que a promessa de Deus visse a se cumprir. Em razão do tempo que já estavam no Egito, o povo israelita estava começando a ser assimilado pelos egípcios e corria o risco de simplesmente ser dissolvido pela opressão feita pelo faraó.
Nota-se, por exemplo, pelos nomes de alguns personagens do Êxodo, que os israelitas aos poucos estavam assimilando a cultura egípcia. Como a cultura egípcia estava intimamente ligada com a política e a religião, e os próprios israelitas não eram ainda monoteístas, poderiam com certa facilidade acabar assimilando a religião egípcia junto com a cultura, reconhecendo até mesmo o faraó como um deus. É por este motivo que o Êxodo, além de promover a libertação dos israelitas oprimidos, é um ponto chave para o início do monoteísmo na futura nação de Israel.
2.4 Êxodo
Como mencionado no tópico anterior, o Êxodo foi fundamental para a experiência dos israelitas com o Deus que os libertou. E esta experiência se deveu principalmente pelo que Deus fez (libertou o povo da opressão), mas também pela forma como fez (as dez pragas).
Neste tópico será abordada a importância das dez pragas mencionadas nos capítulos de 7 a 12 do livro de Êxodo, o que isso possivelmente significou para os egípcios e para os israelitas naquele momento em que ocorreram, como também o significado do êxodo como marco inicial da caminhada do povo de Israel com Deus.
2.4.1 As dez pragas: a guerra entre o Deus do deserto representado por Moisés, e Hórus, o deus encarnado no rei do Egito.
Algo muito marcante que antecede o evento do Êxodo, e que segundo o relato bíblico é de extrema importância para que os israelitas possam sair do Egito é a ocorrência de múltiplas catástrofes sobre o território egípcio, o que geralmente é chamado de ‘pragas’. Fala-se em catástrofes porque “é possível sugerir explicações naturais para todas as pragas, com exceção da última,”60 que é a morte de todos os primogênitos que não cumpriram o ritual descrito em Êxodo 12.21-23. Milton Schwantes pensa diferente e tenta explicar essa ‘praga’ como sendo também uma catástrofe natural, uma espécie de “peste e/ou súbita mortalidade infantil.”61 Historicamente, se essas catástrofes foram naturais ou mesmo se foram sobrenaturais não se pode afirmar com certeza. Mas a teologia por trás delas é de extrema importância para o evento do Êxodo, pois o principal local atingido foi o rio Nilo, o centro do Egito. Assim, segundo Reinke, faz-se necessário destacar o papel teológico de Moisés e do faraó em meio a estas pragas/catástrofes.
Reinke faz uma excelente abordagem teológico-religiosa sobre essa tensão que ocorre entre Moisés e o faraó narrada no Êxodo. Segundo ele, Quando você vê aquela descrição da luta de Moisés com o faraó no Egito, a gente tem que sempre ter em mente que quando Moisés vem, ele vem representando um deus do deserto e falando em nome desse deus, dizendo: esse deus te ordena faraó, que deixe o meu povo ir para me cultuar no deserto. Deus, aliás, se apresenta muito como ‘o Deus do deserto’ na Bíblia. [...] e nesse sentido tem de se lembrar de quem é o faraó? O faraó é próprio divino que está ali diante dele. Então nós temos ali uma luta entre duas divindades.
Ficando clara essa tensão teológica que se dá no diálogo entre Moisés e o faraó, Reinke parte para o significado das pragas que é diferente do que muitos historiadores bíblicos interpretam, que é o de tentar associar cada praga com alguma divindade do Egito.
O sinal da vara que se transforma em uma serpente e, por fim, devora as varas-serpentes dos mágicos egípcios pode ser particularmente importante porque a serpente era um símbolo importante do poder egípcio, indicado da forma mais visível pelo uraeus (símbolo da serpente) fixado na tiara do faraó. Com certeza, pode-se entender que fazer o Nilo ficar vermelho como o sangue seja um ataque ao coração do Egito, pois a fertilidade da terra e o sustento do povo dependiam da cheia anual daquele rio. Um deus da fertilidade, Hapi, era intimamente identificado com o Nilo e com frequência a praga é vista como um ataque a esse deus em particular.
Reinke analisa essa luta teológica de uma forma mais ampla, não concordando plenamente com essa ideia de que cada praga estaria atacando uma divindade específica do Egito. A razão que ele dá para não concordar com esta teoria é “porque eles têm N divindades [...] eles têm centenas de divindades e acaba ficando um pouco esparsa essa questão.”64 Ou seja, não faria sentido atacar somente algumas divindades e outras não. Por isso a ideia que Reinke defende sobre esse relato é que por meio das pragas, Deus está atacando diretamente o faraó. Está atacando o próprio sentido da existência do faraó, que é manter a ordem do Egito. E Deus faz isso atacando o principal meio de subsistência dos egípcios: o rio Nilo.65
Os ataques se dão diretamente no rio Nilo. Ao menos as primeiras pragas são inteiramente ligadas a ele: as águas se transformam em sangue, com isso a ocorrência das rãs, que saem do Nilo no final das cheias rumo a terra seca,66 se dá em uma escala muito elevada. Os peixes do rio morrem, trazendo mau odor e, em consequência, moscas. Como o rio era a fonte principal de abastecimento de água do Egito, a ingestão dessa água por animais e pelos seres humanos acaba provocando doenças contagiosas e até mesmo morte. Toda a ordem do Egito está sendo subvertida e a culpa recai sobre a figura do faraó, mostrando que ele não possui o poder para comandar as forças da natureza, mas quem tem esse poder é o deus dos israelitas.
Após o Nilo, o ataque se concentra diretamente ao faraó. Com a praga da escuridão, as divindades imperiais é que são postas à prova: Rá, Aton, Nut.67(Deuses vinculados ao sol e a irradiação dos raios solares). E por último, a morte dos primogênitos ataca diretamente a coroa e o deus Hórus. Pois o próprio sucessor do faraó, o futuro deus-rei do Egito é morto.
Interessante é também esta questão da morte dos primogênitos. Os primogênitos tinham um papel de representação da família. Assim, quando Deus ‘mata’ o primogênito de cada um, Ele está na verdade efetuando um ‘julgamento’ de todas as famílias do Egito, inclusive a do faraó, desferindo um ataque fundamental e sério à estrutura social do Egito.
Desta maneira, Deus mostra que é o Senhor da história, que não há outros deuses capazes de competir com Ele e que ele interfere de forma concreta na história, agindo contra os poderes e os poderosos que oprimem neste mundo.
“O Êxodo é o primeiro agir constitutivo de Javé para com Israel.” Isso é o que Gunneweg afirma a respeito da importância do Êxodo para a história de Israel. Nenhum biblista ou historiador bíblico duvida da importância do Êxodo para o desenvolvimento do povo israelita. A libertação promovida no Êxodo “foi um dos fatores que ajudaram a moldar a auto compreensão de Israel, de que ele era o povo de Deus”.
O evento do Êxodo foi o ato inicial da caminhada de Israel como povo, não mais como um agrupamento familiar, junto com Deus. A libertação, ato feito por Deus, confirmou a continuidade da aliança feita ao primeiro patriarca: Abraão. Uma parte da promessa já estava cumprida, a saber, os descendentes de Abraão se tornarem um grande povo. A segunda parte tem início neste evento do Êxodo: tomar posse da terra que Deus prometeu.
Esse ato de libertação de Deus seguidas vezes será lembrado pelos profetas no decorrer da história de Israel como um chamado ao arrependimento (no período monárquico), ou mesmo como consolo e esperança de um novo Êxodo no período do exílio, onde o “cativeiro babilônico vinha a ser um segundo cativeiro egípcio que seria seguido no final das contas por uma peregrinação pelo deserto de volta à terra prometida”.
O Êxodo foi e é de tamanha importância que a celebração instituída no Egito (a páscoa) ocorre até os dias de hoje, passando de geração em geração entre os judeus, tendo também uma ressignificação no contexto cristão.
CONCLUSÃO
O que seria do povo de Israel se não migrasse para o Egito nos tempos de José? E o que seria desse mesmo povo se não saísse do Egito nos tempos de Moisés? Essas perguntas foram indiretamente abordadas no decorrer deste trabalho na tentativa de elucidar a importância que a civilização egípcia teve para a História de Israel.
Foi por meio do Egito que Deus cumpriu a promessa que havia feito a Abraão de fazer da sua descendência um grande povo. Foi no Egito que o povo de Israel foi gestado e cresceu e foi na saída do Egito que os israelitas começaram a sua caminhada em um relacionamento aprofundado com Deus.
Para os israelitas, assim como para os egípcios que viveram nos dias do Êxodo, não foi possível assimilar, a não pela fé, todos os fatos que ali se passaram. Uma série de catástrofes naturais em sequência estava ocorrendo, e aquele que deveria manter a ordem do mundo (o faraó), não estava dando conta de consertar todos os estragos. Por fim, todos os primogênitos morrem. Alguns críticos falam em uma morte súbita de crianças. Mas a questão é que naquele momento as pessoas ficaram apavoras e sabiam que algo totalmente incomum estava por acontecer, o que podia ser explicado somente por meio da fé/religião. Mas eles não tinham certeza até que aconteceu: um deus tomou partido pelos fracos, pelos pobres e escravos. Mas não era qualquer deus, era um superior ao próprio deus do Egito. Era um deus que não possuía nome, que os egípcios não conheciam, e que os próprios israelitas talvez só conhecessem através de antigas histórias contadas por seus pais e avós. Era o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, o Deus da promessa.
Tanto na experiência da chegada ao Egito por intermédio de José, quanto no Êxodo por meio de Moisés, fica claro uma coisa para aqueles que participaram: Deus é Senhor da história e age conforme os seus planos, cumprindo aquilo que prometeu (Gn 50.20 e Êx 15).
REFERÊNCIAS
BÍBLIA. Bíblia de estudo NTLH. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2012.
CARDOSO, Ciro Flamarion. Deuses, múmias e ziggurats: uma comparação das religiões antigas do Egito e da Mesopotâmia. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1999.
DILLARD, Raymond B.; LONGMAN, Tremper. Introdução ao Antigo Testamento. São Paulo, SP: Vida Nova, 2006.
GUNNEWEG, Antonius H. J. Teologia bíblica do Antigo Testamento: uma história da religião de Israel na perspectiva bíblico-teológica. São Paulo, SP: Teológica, Loyola, 2005.
LAWRENCE, Paul. Atlas Histórico e Geográfico da Bíblia. Tradução de Susana Klassen e Vanderlei Ortigoza. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2008.
MARRIOT, Emma. História do mundo pra quem tem pressa. 7. ed. Rio de Janeiro: Valentina, 2016.
PINSKY, Jaime. As primeiras civilizações. São Paulo, SP: Contexto. 2012
PROVAN, Iain W.; LONG, V. Philips; LONGMAN, Tremper. Uma história bíblica de Israel. São Paulo, SP: Vida Nova, 2016.
REINKE, André. Os outros da Bíblia, In: AQUINO, Rodrigo Bibo de. BTCAST 168. 13 set. 2016. Disponível em <http://bibotalk.com/podcast/btcast168/>. Acesso em: 13 dez. 2016 (18 min 22s).
SCHULTZ, Samuel J. A história de Israel no Antigo Testamento. 2. ed. revisada. São Paulo, SP: Vida Nova, 2009.
SCHWANTES, Milton. História de Israel: vol. 1: local e origens. 4. ed. alt. e ampl. São Leopoldo: Oikos, 2008.

3º Dia – 07/04 – Cairo
Após o café da manhã, saída para conhecer as três famosas Pirâmides de Queops, Quefren e Miquerinos. Apreciamos as pirâmides e a famosa Esfinge de Gizé que as protegia. Tempo para explicações. Visitamos o Museu do Cairo, um museu planejado com antigos artefatos egípcios (que contam com a coleção de Tutankhamon, faraó da 18ª Dinastia) e descrito como um dos museus mais importantes do mundo.






















Ainda na noite do dia 07, cruzeiro com jantar e show folclórico pelo Rio Nilo. Retorno ao hotel e pernoite.


4º Dia – 08/04 – Cairo / Taba
Pela manhã, partida em direção ao Canal de Suez, ligação navegável entre o Mar Mediterrâneo e o Mar Vermelho. Após cruzarmos o canal pelo Túnel Ahmed Hamdi, parada no vilarejo beduíno de Mara, onde Moisés descansou com o povo e transformou a água amarga em água potável – estes poços existem até hoje e fomos visitá-los. Seguimos viagem para Taba. Alojamento e jantar.

Mara (em hebraico: מָרָה, cujo significado é "amargo") é um dos locais que a Bíblia identifica como tendo sido percorrida pelos israelitas, durante o Êxodo.
Libertados do Egito, os israelitas partiram em sua jornada pelo deserto, percorrendo a da Península do Sinai, inicialmente em direção ao sul, pela margem oeste do Mar Vermelho. Apesar de terem sido libertados da escravidão do Egito,  eles ainda não estão espiritualmente livres, pois reclamam das condições do deserto e cogitam voltar “para as panelas de carne “ do Egito. Chegando em Mara, o lugar de um poço de água amarga, com amargura e murmuração, Israel recebe um primeiro conjunto de leis divinas (Êx 15.23ss.). A escassez de água é seguida por uma falta de alimentos. Moisés lança um pedaço de madeira na água amarga, tornando-a doce. Mais tarde, Deus envia o maná e as codornizes. O deserto é a terra onde Deus adquire seu povo. O 'tema murmuração" – a partir de agora – será uma perspectiva recorrente do povo peregrino judeu.
Mara – amargura – é uma fonte na sexta estação dos israelitas (Êxodo 15.23,  24; Nm 33:.8), cujas águas eram tão amargas que eles não podiam beber. Por conta disso eles murmuraram contra Moisés, que, sob a direção divina, lança na fonte "uma certa árvore", que tirou a sua amargura, para que as pessoas bebessem dela. Este foi provavelmente o 'Ain Hawarah, onde ainda existem várias nascentes de água que são muito "amargas", distantes cerca de 47 quilômetros de 'Ayun Mousa.
A narrativa relativa a Mara no Livro de Êxodo afirma que os israelitas estiveram vagando no deserto por três dias sem água. De acordo com a narrativa, Mara possuía água, porém ela era amarga, o que a tornava imprópria para beber, daí o nome que significa amargura. No texto, quando os israelitas chegam a Mara, eles reclamaram sobre a impossibilidade de se beber aquela água. Desta forma, Moisés clama a Yahweh e Yahweh responde mostrando a Moisés um certo pedaço de madeira, que Moisés então lança na água, tornando-a doce e própria para consumo. Estudiosos afirmam que a mudança de sabor da água pode ser em decorrência do uso de um tipo de bérberis que se desenvolve no deserto e possui a propriedade herbal de "adocicar" água salobra. Outros estudiosos vêem a narrativa sobre Mara como tendo se originado como um mito etiológico buscando justificar seu nome.




No fim do dia, no Resort Dahab, às margens do Mar Vermelho, momentos de puro deleite.



  





 5º Dia – 09/04 – Taba / Eilat / Mar Morto
Após o café da manhã, partimos para a fronteira do Egito com Israel. Trâmites de imigração. Já em Israel, seguimos viagem para o Timna Park está localizado a 25 km ao norte de Eilat, no deserto de Negev. Uma das maiores atrações do sul de Israel, o parque, situado em um cenário do deserto maravilhosamente majestoso, tem história e geologia incríveis. Lá visitamos uma réplica do Tabernáculo Hebreu que foi construído em tamanho natural. O modelo é preciso em vários aspetos tendo, naturalmente, base na descrição bíblica.
No deserto
Em Timna Park, 32 km ao norte de Eilat, no Aravá, há uma réplica em tamanho natural do tabernáculo da Bíblia. Embora os materiais originais não tenham sido usados ​​em sua construção (por exemplo, ouro, prata, bronze), o modelo é preciso em todos os outros aspectos, de acordo com a descrição bíblica.
O pátio exterior
A bacia e o altar de bronze estavam localizados no pátio externo. O altar media 2,3 m2 e media 1,37 m de altura. Era feito de madeira de acácia coberta de bronze e tinha um chifre em cada canto. O altar sempre tinha que ter fogo e sacrifícios diários eram oferecidos todas as manhãs e noites.
O lugar santo
Esta área sagrada era ocupada pelo candelabro de ouro, o altar de incenso e a mesa de pão da Proposição. O candelabro (menorah) era feito de um único bloco de ouro e tinha três braços em cada lado do eixo central. As sete lâmpadas acima dos braços eram provavelmente copos com bordas cortadas para o pavio e o azeite.
A Mesa do Pão da Proposição
Na direção oposta da menorah estava a mesa do pão da Proposição. Era construída com madeira de acácia e coberta com ouro maciço. A superfície da mesa media 0,91 m x 0,45 m.  
Doze pães eram colocados sobre a mesa durante o sábado (dia de descanso) e substituídos por pão fresco no sábado seguinte. Os principais sacerdotes apenas podiam comer o pão substituído.
O altar do incenso
Também conhecido como "altar de ouro" ou "altar interior", esse altar de quase 1 metro de altura era o lugar onde oferendas de incenso eram feitas. Todas as manhãs e todas as noites, enquanto os sacerdotes cuidavam do fogo da menorah, ofereciam uma mistura de incenso e outras resinas aromáticas. No dia da expiação, o sumo sacerdote aspergia com sangue as pontas do altar.
Arca da Aliança do Senhor
O único objeto no Santo dos Santos era a arca sagrada que continha as duas tábuas da aliança com os Dez Mandamentos, a vara de Arão que florescia e o vaso com maná. A arca estava coberta pelo "propiciatório", em que o sumo sacerdote aspergia o sangue do bode sete vezes no Dia da Expiação. A arca representava o escabelo do trono de Deus.










6º Dia – 10/04 – Mar Morto / Deserto do Negev
Pela manhã partimos para o Tel Arad, que é um é um tel arqueológico, localizado a oeste do Mar Morto, a cerca de 10 quilômetros a oeste da moderna cidade israelense de Arad, em uma área cercada por cadeias montanhosas, conhecida como a planície de Arad. O local é dividido em uma cidade baixa e uma colina superior que contém a única "Casa do Senhor" já descoberta na terra de Israel. De lá seguimos para Tel Berseba onde se encontra um sítio arqueológico que se acredita serem as ruínas da cidade bíblica de Berseba, o centro da vida patriarcal. Este nome significa "poço do juramento", e se originou com um pacto entre Abraão e Abimeleque, rei de Gerar. Dois dos poços nessa região são muito antigos, e acredita-se que tiveram alguma ligação com os patriarcas.
TEL ARAD: CONTRIBUIÇÕES ARQUEOLÓGICAS
I. Localização
O Tel Arad está localizado no deserto da Judéia. Está ao sul do antigo território de Judá. Pertence à região da bacia hidrográfica de Beeseba, junto à nascente do Nahal Beerseba. O Tel está a 30 km a sudoeste de Masada (autopista 60 e 80), a 46 km a leste de Beerseba (autopista 60 e 31) e a 59 km pelo sudeste de Hebron (autopista 356 e 80). A distância a partir de Tel Aviv é de aprox. 140 km e de Jerusalém 139 km ao sul. Hoje existe uma cidade moderna chamada Arad, com aprox. 25 mil habitantes, e está a 10 km a leste do Tel Arad.
A área do tel é relativamente grande, no total são nove hectares. Possui o formato de uma concha e está a 576m acima do nível do mar. Está dividido em duas partes, na parte baixa estão as ruínas do que foi uma cidade do período do bronze, do período pré-israelita, a qual atingiu seu auge entre 3000 e 2700 a.C.4. Esta cidade é bastante extensa e era protegida por uma longa muralha de 1200 metros de comprimento. Na parte mais alta, no topo da colina, está uma cidade do ferro5, do período israelita, possivelmente fundada em torno do séc. XII e permaneceu até aproximadamente o séc. VII a.C. no período do rei Josias.
BEERSEBA
Também conhecida como Tel Beer-Shev'a, Tel Beersheba, Tel es-Sabba', Tel Saba, Tell es-Sabba', Tell es-Saba', Abu Matar, Be'er-Sheva, Beer Sheva, Beer-Sheba, Bir-al-Sa, Bir-es-saba, Bir es-Seba', Sheba (?)

 Entrada Exterior



Ao lado da entrada externa há um poço e uma tamargueira. Ambos são posteriores aos patriarcas, mas lembram que Abraão cavou um poço e plantou uma árvore aqui (Gn 21). A tamargueira se adapta facilmente à existência no Negev, uma vez que tem um sistema radicular profundo e capacidade de sobreviver em água  salgada. Ela goteja água no período da manhã e suas folhas transpiram sal.

Estrato II





Escavado por Y. Aharoni nos anos 1969-1975, grandes áreas do Estrato II do tell Sheba foram expostos. A restauração começou em 1990 e se concentrou em reconstruir a cidade, para deixá-lo como estava no fim do século VIII, no tempo do rei Ezequias.
Casa de Quatro Habitações
Mais conhecido como um edifício de pilares isrelitas, esta estrutura típica podia ser encontrado no país durante a Idade do Ferro (1200-600 aC) Subdividida em pequenas salas por pilares, essas casas eram construídas muitas vezes na parede da cidade, onde a parede da casa formava parte do muro que servia como casamata.
Estábulos ou  armazéns?
Três edifícios, cada um dos quais com três pilares, foi revelado nas escavações. Os arqueólogos pensam que eles poderiam ser armazéns, pelo grande número de vasos encontrados no lugar. Outros estudiosos reconhecem este desenho de construção como estábulos. Ademais, foram encontradas provas contundentes  que sugerem uma identificação mais precisa deste lugar como estábulo.
Altar com quatro chifres - Blocos de arenito construídos nas paredes dos armazéns eram originalmente parte de um altar de quatro chifres. Três dos blocos preservam  a forma de chifre, os típica dos altares de quatro chifres. O quarto bloco mostra evidências de que o chifre foi quebrado. Outra das pedras levava  a imagem de uma cobra gravada profundamente.






No fim do dia, um banho no Mar Morto.


7º Dia – 11/04 – Mar Morto / Deserto da Judeia / Galileia
Partimos de Ein Bokek, região do Mar Morto, para Massada. A fortaleza de Massada foi construída entre os anos 37 e 31 a.C.; é um dos palácios que Herodes o Grande mandou edificar no seu reino. Seguimos para o Parque nacional de Ein Gedi, que é famoso, também, pela riqueza de sua fauna e flora. Ein Gedi é citada várias vezes no texto bíblico, sendo muito lembrado porque Davi se esconde de Saul em cavernas. A próxima visita foi Qumran, local onde foram encontrados, em 1947, os Pergaminhos do mar Morto, local que também se identifica com a seita judaica dos Essênios. Continuamos nossa viagem até chegarmos à região da Galileia.
FORTALEZA DE MASSADA – O domínio romano sobre a Palestina, que inicia no ano 63 a. C, não foi aceito de forma passiva. Algumas rebeliões foram surgindo ao longo do processo, entretanto, todas foram debeladas pelos romanos e suas forças de ocupação. A resistência judaica ao domínio romano só assumiu uma forma mais geral no ano de 66 d. C., tornando-se uma guerra de grandes escalas, que foi sufocada no ano 70, após um longo cerco a Jerusalém. O saldo final foi a destruição completa da cidade e do Templo de Herodes e, por conseguinte, a deportação de grande parte da população.
De todo esse conflito, positivo para os romanos, restou ainda um foco de resistência judaico na fortaleza de Massada, que fora tomada no ano 66 d. C. por um grupo de zelotas, persistindo até o ano 73.
Localização geográfica: Massada está localizada na margem leste do deserto de Judá, cortando mais de mil e trezentos pés (396, 24 m) da costa oeste do Mar Morto. Sua conformação parece um tosco romboide [3], como um navio, de norte muito estreito, com o sul um pouco menos e o meio largo. De norte a sul a rocha mede uns 1900 pés (579,12 m) e, de leste a oeste, 650 pés (198,12 m).
Salvo o extremo norte, toda a rocha estava cercada por uma muralha de parede dupla dividida em casamatas. As construções se concentravam na metade norte do cimo, enquanto a parte sul, mais baixa, carecia de edificações. Observando a formação geral da rocha, à esquerda se vê a trilha da serpente e a rampa (do assalto romano) à direita. Na margem oeste observa-se, em primeiro plano, o palácio de degraus e sobre este tem-se o núcleo principal de edificações (armazéns e outras estruturas). Ao centro e à direita da margem oeste de Massada encontramos o maior edifício. As edificações menores se distribuíam aproveitando a topografia irregular do terreno.
Histórico: Quanto aos primeiros ocupantes de Massada, ainda é algo obscuro. Para Flávio Josefo, o seu grande construtor foi Herodes, todavia antes dele havia passado por ali o Sumo Sacerdote Yonathan, que alguns identificam com Judas Macabeu (metade do século II a. C.) e, outros, com Alexandre Janeu (103-73 a. C.).
Todos concordam com Josefo de que as principais edificações foram obras do gênio de Herodes, mas nunca chegaram a um acordo quanto à sua função: refúgio em caso de revoltas ou domínio estrangeiro, ou obra incorporada à defesa geral do reino.
Outra dúvida que pairava antes das escavações era quanto ao período dos zelotas. Flávio Josefo afirmara que após a morte de Herodes, a fortaleza havia sido ocupada por uma guarnição romana, posteriormente expulsa em 66 por Menaém e seus sequazes, cedendo lugar a um grupo de zelotas. Em 73, após derrotar os zelotas, Silva deixou aí estabelecida outra guarnição. Após o domínio romano, Massada passou por um período de desocupação, tornando-se, mais tarde, morada de monges bizantinos entre os séculos V e VI, depois do qual nunca mais foi ocupada sistematicamente.
Impressões gerais: A vista de Massada a oeste, permite ver o norte com seus três terraços e à direita o profundo Wadi Massada. Por essa via é possível avistar a direita os restos do ambicioso projeto de Herodes para a condução de água: duas filas de buracos escuros, correspondentes às bocas de imensas cisternas cavadas na rocha, com capacidade para 140.000 pés cúbicos de água (42.672 m³) cada, chegando a um montante de aproximadamente 1.400.000 (426.720 m³). O projeto baseava-se na existência de pequenos vaus, nos quais foram construídos diques, sobre os quais foram instalados canais abertos para as duas séries de cisternas: do vau sul até a fila superior, e o segundo aqueduto, do vau norte até a fila interior. As cisternas na parte superior da rocha de Massada eram abastecidas de água pelo trabalho de milhares de escravos e de bestas de carga. Mesmo sendo uma região muito seca, esse sistema de abastecimento conseguia captar a água dos temporais de inverno, bastando algumas horas para encher as cisternas. 
As construções: a. Terraço inferior: A rocha de Massada afila-se ao norte, atingindo poucos metros de largura, ali onde estava localizado o terraço inferior, para cuja construção necessitou-se de uma plataforma artificial e de um muro de contenção de uns oitenta pés (24,38m). Aí foram encontradas peças importantes do palácio e pinturas murais no estilo romano.
A parte inferior das paredes (internas e externas) era revestida de gesso à imitação de mármore. Toda a construção era sustentada por pilares compostos de blocos de pedras superpostos com aparência de colunas monolíticas, coroadas com capitéis coríntios, pintados e recobertos de ouro. Após a eliminação dos escombros, descobriu-se também uma casa de banhos privada, cujo luxo e arquitetura remontam a mais refinada tradição romana. Nas escadas que davam acesso à piscina de água fria, foram encontrados três esqueletos: de um homem de cerca de 20 anos, de uma mulher jovem e de uma criança[9], possivelmente restos de alguns dos defensores de Massada.
b. Terraço central: Apresentava muros concêntricos com espessas paredes niveladas e a presença de pilares quadrangulares separados por nichos. Era uma construção fechada, em cuja parte anterior dos lados leste e oeste havia habitações e no sul, pilastras de sustentação do teto. A parte circular e seu vazio central serviam para melhor distribuição do peso e sustentação da cobertura. Na parte inferior, mais ao sul, havia pinturas murais. O acesso a ele era feito por uma escada ao Sudoeste.
c. Terraço superior: Subdividia-se em duas partes: a do norte de forma semi-circular com paredes duplas, como o terraço central e, a parte sul, com habitações do período bizantino (século V). Na época de Herodes parece ter havido apenas 4 habitações e vários corredores. As decorações aí encontradas, eram mais suntuosas que a dos anteriores, com pisos em mosaico[10] e paredes e teto fartamente decorados. Com a retirada da terra chegou-se a uma parede branca em ótimo estado de conservação e blocos que indicavam que aí também houve pilares compostos de diversas pedras[11]. A entrada original do palácio ficava a leste. Nas escadarias foram encontrados restos arquitetônicos adicionais: capitéis jônicos e restos de uma pequena casa de banho, cuja construção fora interrompida, dificultando sua datação. Embora, as escavações revelem a precisão de Flávio Josefo, esse não era o palácio oficial rei.
d. Casa de banho: Grande construção ao sul do terraço superior e a oeste dos armazéns, com paredes recobertas de gesso, nas quais havia tubulação condutora de calor (caldarium) e, sob o chão, estavam pilares que compunham o hipocausto que aquecia o caldarium. O ar quente era conduzido por tubos que se comunicavam com um forno adjacente ao caldarium. Em sua parte norte, havia uma banheira de quartzo, num nicho semicircular, abastecida de água fria e no outro lado uma banheira para banho quente. No complexo, a construção menor e mais simples correspondia ao frigidarium, piscina de água fria. Entre o caldarium e o frigidarium estava o tepidarium de temperatura ambiente, mais luxuoso. O vestuário (apoditerium) era também decorado luxuosamente. A entrada consistia num amplo pátio, cujo solo de mosaico branco e preto era igual ao do terraço superior.
e. Armazéns: Porta noroeste, ao sul da vila palácio. Eram estruturas retangulares, que serviam para estocar alimentos por muito tempo. [12] As construções seguiam os padrões arquitetônicos da época, sendo compostas por dois blocos principais (sul e leste), cujas paredes chegavam a uma altura original de aproximadamente 11 pés (3,35 m). Foram encontradas aí centenas de recipientes quebrados, muitos dos quais tinham as inscrições T (do hebraico truma: merecimentos dos sacerdotes) e ma’aser kohen (dízimo sacerdotal). Foram achadas também, cerca de cem moedas dos 2° e 3° anos da revolta e fragmentos de estanho e outros metais.
f. Conjunto residencial: Ao lado sul dos armazéns, encontramos um edifício quadrado com uma boa quantidade de quartos. As unidades de vivenda se compunham de uma grande estância, um pátio fechado e pequenas habitações adjacentes. Sob o piso original foi encontrado um monte de moedas (siclo e meio siclo) e sob a camada de cinzas, numa caixa de bronze, foram encontradas pela primeira vez moedas de siclos (seis siclos e seis meio siclos), que retratavam todos os anos da revolta
g. Capela bizantina: Ao sul desse edifício residencial, encontramos uma capela da época cristã em estilo bizantino, composta de uma grande sala, cujas paredes ainda sustinham adornos originais. No lado noroeste do grande salão, encontrava-se uma habitação para os guardiães do templo, na qual foram encontrados armários e recipientes para abluções. O achado mais importante, no entanto, foi um mosaico bizantino (século V) revestindo o piso na margem norte da construção. [13]
h. Palácio real: Estava no extremo oeste da rocha, atingindo uma área de 36.000 pés² (10.972,8m²). Compunha-se de três alas principais: Parte habitável, a sudoeste, com grandes estâncias e pequenos quartos em torno de um pátio. Foram encontrados aí vestígios do trono e de uma casa de banho privada. Ao norte, havia uma ala de serviço semelhante à anterior. Finalmente, na parte oeste, encontram-se armazéns e a parte administrativa. Os primeiros davam a esse subconjunto de construções independência em relação às outras partes. Seu sistema de abastecimento de água era independente dos demais. Próximas ao palácio havia vivendas (2 ao norte e 1 ao sul).
h. Columbário: Na parte sul do cume, observa-se uma estrutura circular dividida por duas paredes com orifícios e um espaço central, à semelhança de um columbário. Com efeito, é provável que aí fossem encerrados os restos das incinerações dos membros não judeus da corte.
i. Muralha de casamatas: Cobria todo o cume estava cercado, exceto o norte, e entre suas paredes haviam tabiques, que serviam de armazéns e vivendas para as tropas. Eram cerca de 110 estâncias, que no tempo da revolta foram ampliadas para abrigar os rebeldes. No lado do Caminho da Serpente, foram encontradas pedras redondas (45,3 kg) para serem lançadas nos inimigos, das quais nenhuma fora lançada.
j. Banho ritual (ao sul da muralha): Série de 3 piscinas (grande, média e pequena). As duas maiores eram escalonadas e se comunicavam por tubulações. Essa estrutura correspondia a um mikave, banho ritual de imersão do período do segundo templo. A primeira piscina recolhia a água da chuva e, a segunda, servia para o banho, tendo suas águas purificadas pela água que jorrava da primeira através do tubo de comunicação. A piscina menor não comunicava com as outras e servia para limpeza, ou seja, purificação das mãos e dos pés (medidas rituais).
k. Sinagoga: No setor noroeste da muralha, havia restos de uma sinagoga com bancos recobertos de argila e pilares em seções. Era uma construção retangular com bancos em fila ao redor das paredes, com um vão a oeste e, tendo ao centro três pilares ao sul e 2 ao norte. Aí foram encontradas moedas da época da revolução, um óstraco com a inscrição “dízimo dos sacerdotes (levitas), inscrições com o nome do sacerdote “Hezekiah”.
l. Esqueletos: Restos de esqueletos de 14 homens entre 22 a 26 anos (um de mais de 60), seis de mulheres de 15 a 25 anos e 12 crianças (inclusive de um feto), foram encontrados na menor cova do extremo sul da muralha.
No quadro abaixo, sintetizamos as descobertas dos fragmentos escritos encontrados em Massada:
Local
Objeto
Muralha (habitação 1039)
Frag. dos Salmos 81-85 Frag. do Levítico
Rincão Sudoeste
Frag. do 6° Cântico do Sacrifício Sabático (Qumram)
Setor Leste ao N do C. da Serpente
Frag. em pele branca do Salmo 150
Muralha (habitação 1109)
Frag. em Hebraico de Ben Sirá
Torre da Muralha: oeste do Palácio oeste
Livro dos jubileus
Oeste do Pátio
Frag. de Lv 8-12
Sinagoga (Genizá)
Frag. capítulos finais de Deuteronômio e extratos do cap.37 de Ezequiel
Períodos de ocupação de Massada:
PERÍODO
DATA
ACHADOS
Calcolítico
4° Milênio
Covas nos acantilados
Primeiro Tempo
Do século X ao VII (a. C.)
Fragmentos de cerâmica disseminados
Asmoneu
De 103 a 40 (a. C.)
Moedas de Alexandre Janeu
Herodes, o Grande
De 40 (a. C) a 4
Fortaleza, palácios, armazéns, casa de banhos, cisternas, moedas.
Dinastia de Herodes e os procuradores
de 4 a 66
Centenas de moedas, adições aos edifícios.
A Grande Rebelião
de 66 a 73
Vivendas, banhos rituais, sinagoga, rolo de pergaminho, ostracos, moedas e objetos de uso diário.
Depois da Rebelião
séculos V e VI
Moedas da guarnição romana, alguns edifícios adicionais.
Bizantino.
Capela, celas dos monges
Notas
[1] “Pouco tempo depois alguns, mais proclives à guerra, atacaram de surpresa a fortaleza de Massada, degolaram toda a guarnição romana e lá puseram uma, da sua nação.” Veja em JOSEFO, Flávio. História dos hebreus, Rio de Janeiro, Casa Publicadora da Assembleia de Deus, 1992.
[2] Diante da derrota iminente, os revoltosos optaram por um suicídio coletivo. Confira Seleções de Flávio Josefo, São Paulo, Edameris, 1974, p.317-319.
[3] Rombóide, no Aurélio: quadrilátero de ângulos não retos, de lados opostos iguais e lados contíguos diferentes; paralelogramo.
[4] Segundo o Aurélio, casamata (do italiano casamatta) significa 1. Abrigo subterrâneo abobadado e blindado, 2. Prisão subterrânea, 3. Fortaleza. Abrigo subterrâneo de grossas paredes, para instalação de baterias ou proteção de materiais e pessoas.
[5] “Para sua conveniência pessoal fez construir uma série de fortalezas, especialmente em certos lugares quase inacessíveis do deserto de Judá e do Mar Morto. A construção mais impressionante por sua altura e suas escarpas, na orelha ocidental do mar Morto, quase em frente à Península de el-Lisan. Na superfície plana de cima da rocha, fez construir um palácio enorme, provido de amplos ‘armazéns’”. Veja em NOTH, Martin. Historia de Israel, Barcelona, Edicciones Garriga, s/d, p.369.
[6] “Herodes era o único adversário que lhe restava a Antígono. Quando Hircano e Fasael foram capturados pelos partos, pôde reunir a sua família e à de seus irmãos, refugiando-se com eles nos riscos quase inacessíveis de Massada, na orelha ocidental do Mar Morto ...” (Martin Noth, p.365).
[7] Com relação à fertilidade da terra, Flávio Josefo diz: “O rei (Herodes) reservou o cimo da colina, que era de solo mais rico e de melhor terra de cultivo que qualquer vale, para a agricultura, para que aqueles que se refugiassem nesta fortaleza não se vissem privados de alimentos em caso de alguma vez necessitarem recebê-los de fora.” Citado por Yigael YADIN, Masada, Barcelona, Ediciones Destino, 1986, p.35.
[8] Sob uma grossa camada de cinzas foram encontradas pinturas murais, restos de comida (tâmaras, caroços de azeitonas etc) e algumas moedas do tempo da revolta, com a inscrição: “A liberdade de Sião”.
[9] Ao descrever os últimos momentos Flávio Josefo disse: “e aquele que foi o último de todos, observou ao demais, por se quiçá algum dos muitos que assim se haviam sacrificado desejasse sua ajuda para terminar completamente; quando se assegurou de que todos estavam mortos pôs fogo no palácio e, com toda força de sua mão, se traspassou completamente com sua espada e caiu morto junto a sua própria família” (p.54).
[10] “Em uma delas (habitações) nos encontramos com um piso de mosaico branco formando um desenho geométrico com hexágonos negros. Este mosaico, como muitos outros da mesma matéria de tempos de Herodes, figura entre os mais antigos descobertos nos pais” (confira Yigael YADIN, Masada. p.63).
[11] As pedras eram enumeradas pelos construtores de Herodes com letras hebraicas, páleo-hebraicas, latinas e símbolos geométricos, que facilitavam seu encaixe na hora da montagem dos mesmos.
[12] “Enquanto as provisões se achavam dentro da fortaleza, era ainda mais maravilhoso, tendo em conta sua riqueza e sua dilatada conservação; porque aqui se guardava grão em grandes quantidades, para proporcional alimento durante muito tempo; aqui também se encontravam vinho e azeite em abundância com toda classe de legumes e tâmaras amontados; tudo isto o encontrou ali Eleazar, quando ele e seus sicários se apoderaram da fortaleza à traição. Estes frutos se achavam frescos e bem maduros, e de nenhuma maneira inferiores a frutos recentemente armazenados, mesmo que houvesse transcorrido pouco menos de cem anos desde que foram guardados. Até que foi tomada a fortaleza pelos romanos. Inclusive, então, aqueles frutos que haviam restado não se haviam corrompido em todo esse tempo: e não nos equivocaremos ao supor que o ar foi a causa de que duraram tanto, dado que esta fortaleza tão alta e livre, por isso, de toda partícula de terra. Encontraram-se aqui também grande quantidade de armas de todas classes, que havia guardado aquele rei como tesouros, e eram suficientes para dez mil homens; havia de ferro fundido, de cobre e de estanho, o que demonstrava que se havia preocupado de ter as coisas listadas para as grandes ocasiões” (citado por YADIN, Yigael. Masada. p.87).
[13] “Seu desenho consiste numa série de medalhões redondos, em cada um dos quais há representações de frutas e plantas, tais como romãs, figos, laranjas e uvas” (YADIM, Yigael. Masada, p.112).
En-Ged – Também conhecido como Tel Goren, Tell el-Jurn, Tell Jurn, 'Ain Jidi, 'Ein Jidi, 'En Gedi, En-gedi, Eggadi, Engaddi, Engedi, Hazazon Tamar, Hazazon-tamar, Hazazontamar, Hazezontamar

Oásis do Mar Morto – En-Gedi, é o maior oásis ao longo da costa oeste do Mar Morto. As nascentes permitiram que este local fosse continuamente habitado desde o período Calcolítico. A área foi dada à tribo de Judá, e ficou famosa no tempo de Salomão (Js 15.62). Atualmente, o kibutz israelense de Ein-Gedi fica na margem sul de Nahal Arugot.

Vinhedos famosos – As nascentes abundantes e o clima temperado durante todo o ano forneceram nesse lugar as condições perfeitas para a agricultura nos tempos antigos. Salomão comparou sua amada a um "buquê de flores de hena nos vinhedos de En-gedi", uma indicação da beleza e fertilidade do lugar (Ct 114). Foi encontrada evidência de oficinas usadas na indústria de perfumes para destilar produtos feitos de abeto. Também foi sugerido que a produção de perfume em Em-Gadi fazia parte do patrimônio real.
Nascentes – Embora existam várias nascentes ao redor do Mar Morto, muitas delas têm alto teor de sal. En-Gedi é uma das duas únicas nascentes de água doce na costa oeste do Mar Morto. Como existe por aqui terras férteis para a agricultura, En-Gedi é a melhor nascente para povoar.
O historiador judeu Josefo elogiou En-Gedi por suas palmas e ciprestes, e o escritor do Eclesiástico (Sirácida) falava da sabedoria exaltada como uma palmeira de En-Gedi (24.14). Um dia o profeta Ezequiel previu que os pescadores se ajuntarão na costa do Mar Morto em En-Gedi (47.10).
Davi Foge de Saul – Por volta de 1000 a.C., En-Gedi serviu como um dos muitos lugares de refúgio para Davi, quando fugia de Saul. Davi "foi morar nas fortalezas de Em-gedi" (1Sm 23.29). En-Gedi significa, literalmente, "a nascente da criança (cabra)". Há evidências de jovens cabritos que viveram perto das nascentes de En-Gedi. Certa vez, quando Davi estava fugindo do rei Saul, seus homens o procuraram em "picos das rochas das cabras montesas" nas proximidades de En-Gedi. Em uma caverna próxima, Davi cortou a borda do manto de Saul (1S 24).

Templo CalcolíticoAs ruínas mais antigos em En-Gedi são de um templo do período Calcolítico (cerca de 4000-3150 a.C.). Arqueólogos acreditam que isso prova que En-Gedi manteve uma população significativa na época. A "Caverna do Tesouro" em Nahal Mishmar foi escavada por P. Bar-Adon e acredita-se que esteja conectada a este templo. A caverna fica a 10 km de distância ao sul de En-Gedi. Uma reserva de artefatos muito bem preservada foi encontrada lá. Muitos dos artefatos eram feitos de cobre. Foi sugerido que os artigos foram usados ​​no templo para rituais em En-Gedi e estavam escondidos na caverna para protegê-los.

QUMRAN – As escavações começaram em 1947 com uma expedição conjunta composta pelas instituições Jordan Department of Antiquities, Palestine Archeological Museum e L’École Archéologicque Française of Jerusalem. O sítio, de aproximadamente 1 km (6 milhas), foi escavado sob os mesmos auspícios durante cinco sucessivas campanhas, de 1951 a 1956. A última compreendeu a região situada entre Qumran e a fonte de Ein Feshkha, 3km ao sul. Perto daí, foi encontrado um complexo de edifícios, escavado em 1958. Uma segunda caverna contendo rolos foi descoberta por beduínos em l952, com acompanhamento das instituições acima, junto agora com a American Scholl of Oriental Research, para a exploração de todo o penhasco. Durante esta campanha foi encontrada a caverna 3, onde estava o Rolo de Cobre. Em 1952 também foi achada a caverna 4 no planalto argiloso, onde também foi encontrada a de nº 5. A caverna 6, fonte de fragmentos de rolos comprados dos beduínos, foi localizada na entrada para o Wadi Qumran. Durante a expedição de l955, as cavernas 7-10 foram descobertas no canto (olhando de cima) do platô de Wadi Qumran, ao sul. Arqueólogos descobriram a caverna 11, na última sessão de escavações.
Períodos de ocupação – Está situada sobre o contraforte do planalto, limitado ao sul pelo Wadi Qumran e ao norte e oeste por um desfiladeiro (garganta). Durante cinco expedições arqueológicas, foi escavado um complexo de edifícios, com extensão de 80m leste-oeste e 100m norte-sul. Alguns períodos de ocupação podem ser apontados:
Ferro: o mais antigo assentamento data do período israelita. Várias paredes, reutilizadas nas últimas fases, pertenceram a um edifício retangular, na frente do qual havia um pátio com uma grande cisterna redonda. Seu aspecto parece aquelas das fortalezas israelitas do deserto de Judá e do Neguebe. A cerâmica associada a essas estruturas varia do oitavo ao começo do sexto século a.C. Essa data é confirmada por um ostracon com caracteres hebraicos antigos, atribuídos ao período imediatamente anterior ao exílio babilônico. As instalações foram destruídas durante a queda do reino de Judá. Provavelmente pode ser associada com ‘ir há-melah (cidade do sal), uma das seis cidades listadas em Josué 15,61-62 e situada no deserto.
Fase I-a - Depois de muitos séculos de abandono, Qumran foi ocupada novamente, em data difícil de precisar. Os edifícios, em sua maior parte, sofreram adições. Duas novas cisternas foram cavadas, próximas à que havia. O escasso material cerâmico não permite identificação com o período seguinte nem havia moedas. Já que os edifícios da fase I-b foram aparentemente construídos no tempo de João Hircano (134-104 aC), a fase I-a, de pouca duração, pode possivelmente ter começado durante o reinado de Hircano ou, mais provavelmente, durante o reino de um de seus imediatos predecessores - seu irmão Simeão (142-134) ou seu tio Jônatas (152-142).
Fase I-b - Nesse período, as construções foram mais alargadas e tomaram mais ou menos a sua forma final. Elas consistem de um edifício principal com uma torre, um pátio central, salas para uso comum, uma sala para reuniões que servia também como refeitório e uma despensa, onde foram encontrados milhares de vasos (pequenas jarras, pratos, bacias e tigelas). No lado sudoeste havia uma oficina de cerâmica com uma bacia para lavagem da argila, um depósito cavado no chão, um lugar para o movimento giratório das peças cerâmicas e dois fornos. Um outro edifício, situado a oeste, consistia de um pátio cercado por despensas. Entre os dois edifícios havia três cisternas da fase I-a e oficinas. Outras cisternas e dois banheiros foram construídos nas proximidades. Ao norte deste complexo havia um grande e emparedado pátio e ao sul uma esplanada que se estendia ao Wadi Qumran. Ao redor dos edifícios os escavadores encontraram ossos de animais, principalmente ovelhas e cabras mas também vacas e bezerros. A cerâmica desta fase data do fim do período helenístico. As moedas permitem uma datação mais precisa para seu começo. É certo que os edifícios foram ocupados durante o período de Alexandre Janeu (103-76 aC) e podem ter sido construídos antes, sob João Hircano. O fim desta fase é marcado por dois episódios catastróficos: um terremoto, que destruiu duas cisternas, a torre e o edifício principal, a despensa e a sala de reuniões e a extremidade do segundo edifício; e um incêndio, que deixou uma grossa camada nas áreas abertas próximas dos edifícios: parece que o terremoto destruiu os edifícios ocupados que então foram alcançados pelo fogo dos fornos. O sítio foi abandonado na fase I-b. Os edifícios não foram imediatamente reconstruídos nem o sistema de água restaurado. Reparos foram feitos na fase II.
Fase II - O lugar foi abandonado por um breve período e foi novamente ocupado pela mesma comunidade. A configuração geral e a função dos principais edifícios foram mantidas. As refeições, talvez rituais, continuaram a ser praticadas; as salas foram limpas dos entulhos, sendo que algumas delas e duas cisternas foram encontradas fora de uso; as estruturas mais comprometidas foram reforçadas. Uma grande sala com cinco fogões (fornos) era, aparentemente, a cozinha. A oficina de cerâmica continuava em uso; duas outras oficinas entre os edifícios principais são de natureza indeterminada; nas proximidades havia um moinho e um forno. Em uma das salas do edifício principal foram encontradas três mesas (uma grande e duas pequenas), feitas de tijolo; também foram encontrados um banco baixo ao longo das paredes e tinteiros, encobertos por entulhos; isso sugere - para quem para quem pensa que Qumran seja uma espécie de convento - que a sala pode ter sido um scriptorium, no qual os escribas e copistas trabalhavam. Uma grande quantidade de peças cerâmicas foi encontrada na fase II, exceto certas formas especiais de tipo que se originaram na fase I-b, e continuado na fase seguinte como resultado de uma tradição local de trabalho. Fora isso, a cerâmica é virtualmente a do primeiro século d.C., encontrada em tumbas judaicas de Jerusalém e nas escavações da Jericó herodiana. O começo e o fim desta fase podem ser fixados por moedas e por fontes históricas. Depois do terremoto de 31aC, os edifícios foram retomados por Herodes Arquelau, provavelmente entre 4-1 aC. Qumran foi destruída durante a guerra em junho do ano 68 dC quando, de acordo com Josefo, o exército romano ocupou Jericó e Vespasiano visitou o Mar Morto. As moedas descobertas confirmam a data (as últimas da fase II são quatro moedas judaicas do ano três da guerra judaica, em contraste com 68 moedas do ano dois).
Fase III - A guarnição romana estacionada no sítio foi responsável por mudanças radicais encontradas nesta fase. Somente parte das ruínas foram restauradas para uso dos ocupantes; algumas pequenas salas foram construídas ao acaso; foi utilizada somente uma das numerosas cisternas, com simplificação do sistema de água. A cerâmica, escassa, é similar à encontrada em outros sítios do século primeiro dC, sendo que a típica de Qumran estava ausente. As moedas também são menos numerosas e as últimas, que indubitavelmente pertencem a esta ocupação, datam de 72-73 dC. Parece que a guarnição romana se retirou imediatamente depois da queda de Massada, em 73.
A área de Qumran – Os penhascos que dominam Qumran abrigam muitas cavernas naturais. Em 1952 foram encontradas 26 cavernas ou fendas contendo cerâmica idêntica à de Qumran. Essas cavernas foram usadas pelas pessoas que lá habitavam durante as fases I-b e II. Algumas eram apropriadas para abrigo enquanto outras serviam somente como despensas ou como esconderijos para aqueles que viviam em barracas ou tendas nas redondezas. De fato, uma dessas fendas foi encontrada contendo uma barraca. As cavernas da plataforma não são naturais e foram cavadas para formarem habitações. Encontraram-se, ao norte e ao sul do platô de Qumran, dois pequenos cemitérios, nos quais homens, mulheres e crianças foram sepultados. O número de pessoas que lá viviam ou nas cavernas próximas e que participavam das atividades de Qumran, durante o período mais populoso chega a 200. Essas pessoas ganhavam a vida de várias ocupações (como as indicadas pelas oficinas), criação de gado, cultivo de agricultura adequada ao solo árido da região. Entre Qumram e Ein Feshka, três quilômetros ao sul, o litoral plano era irrigado por meio de pequenas fontes, onde até hoje a água de pouco teor de sal facilita o cultivo de cana/junco e arbustos. O sal e o asfalto do Mar Morto provavelmente contribuíram para que os habitantes locais tivessem ocupação adicional. Os recursos naturais da região foram explorados desde a Idade do Ferro. Ruínas de um edifício foram encontradas sob as escavações de Qumran; ele pode datar do nono século aC. Depois de breve ocupação ele foi abandonado quando os ocupantes se mudaram para o platô de Qumran, que oferecia clima mais favorável e melhor posição defensiva. O muro que protegia a área irrigada e cultivada data do mesmo período, que continuou a ser usado. Perto dele foi descoberta uma estrutura quadrática na qual havia cerâmica contemporânea à de Qumran. Essa estrutura foi evidentemente uma proteção (torre) ou um edifício onde trabalhos agrícolas eram feitos dentro da proteção do muro.
Qumran – sede de um grupo religioso?
A área foi habitada várias vezes, começando com os edifícios israelitas da Cidade do Sal até as construções bizantinas em Ein Feshka. A mais importante ocupação se estende da segunda metade do segundo século aC até o ano 68 dC, da qual temos traços nas cavernas dos penhascos e do platô dos edifícios de Qumran e Ein Feshka; o povo que vivia nas cavernas e nas barracas próximas se reunia em Qumran para o cultivo de suas atividades comunitárias. Eles trabalhavam nas oficinas de Qumran (ou em atividades agrícolas em Ein Feshka) e seus corpos eram enterrados em um dos dois cemitérios que lá havia. Este era um grupo altamente organizada, a julgar pelo planejamento dos edifícios que construíram, pelo sistema de abastecimento de água e por outras facilidades comuns e ainda pelo ordenado arranjo das sepulturas no cemitério maior. O especial método de sepultamento, a grande sala de reuniões e de refeições e os restos de utensílios nelas utilizados que foram meticulosamente enterrados - isso indica que a comunidade tinha um caráter religioso e praticava seus próprios e peculiares ritos e cerimônias. Os rolos descobertos confirmam estas conclusões e fornecem informações adicionais. A evidência arqueológica mostra que os rolos pertenciam à comunidade religiosa que ocupou as cavernas e os edifícios de Qumran. Esses rolos são o que sobrou de sua livraria, cujos trabalhos descreviam a organização da comunidade e as leis que governavam seus membros. As descobertas arqueológicas são interpretadas no contexto dessa vida em comunidade. Alguns rolos contêm alusões à história desse grupo religioso, que se separou do judaísmo oficial de Jerusalém para uma existência no deserto, absorvida em orações e trabalho, enquanto esperava o Messias.
Controvérsia – A interpretação dessas referências históricas tem sido objeto de muito debate entre os especialistas. Uma resposta decisiva ou conciliadora não pode ser esperada dos achados arqueológicos, pelo menos por ora. Elas apenas ajudam a reforçar a hipótese de que a comunidade floresceu na costa do Mar Morto, da segunda metade do segundo século aC até 68 dC e que os eventos descritos nos manuscritos ocorreram em Qunran durante esse período. A filiação religiosa da comunidade também tem sido objeto de controvérsia. Muitos especialistas consideram que a comunidade teve, de qualquer forma, contato com os essênios. Plínio relata que eles moravam em isolamento na região de En-Gedi. Há somente um sítio que corresponde à descrição acima: o platô de Qumran. Os essênios de Plínio, então, foram a comunidade religiosa de Qumran-Feshka.

Mais controvérsias – Os seguintes comentários tornam-se indispensáveis, por mais superficiais que possam parecer. Isso porque as considerações acima expostas foram extraídas de fontes escritas por Roland de Vaux, arqueólogo responsável pelas primeiras escavações de Qumran e partidário da tese de que foram essênios os seus habitantes. Todo o trabalho posterior de investigação arqueológica e histórica partiu desse pressuposto. Contudo, mais recentemente começaram a surgir novas e corajosas vozes contrárias que não podem ser silenciadas neste despretensioso trabalho introdutório. Uma delas pertence a um qumranólogo respeitado: Norman Golb . Este erudito estudioso apresenta uma análise serena - mas convincente - em que questiona o “dogma” tradicional segundo o qual Qumran foi sede de uma comunidade religiosa identificada como sendo a dos essênios; aponta as motivações políticas e ideológicas que sustentam tal princípio; analisa o conteúdo dos principais manuscritos encontrados nas grutas de Qumran; por fim, apresenta argumentos científicos, dificilmente irrefutáveis, na defesa de novas luzes na abordagem da questão. No começo dos anos noventa uma equipe de arqueólogos da Universidade Hebraica de Jerusalém escavou um sítio localizado a três quilômetros ao norte de Cesaréia marítima, chamado Horvat ‘Eleq, na serra conhecida pelo nome de Ramat Hanavit. Concluiu-se que o sítio era uma verdadeira “praça fortificada”, como as mencionadas por Josefo e pelos livros dos Macabeus. O chefe da equipe, Yizhar Hirschfeld, registra que os asmoneus construíram dezenas de fortificações por toda a Judéia, não só para proteção da população, mas também para controle das vias de transporte e manutenção da ordem. O que surpreende nisso tudo é que há muitas semelhanças entre Horvat ‘Eleq e Qumran, como a torre, complexos habitacionais a ela ligados, sistema de abastecimento de água, além de uma piscina e uma casa de banhos. Hirschfeld enviou uma correspondência a Golb, em 1995, na qual registra o seguinte: “...a semelhança arqueológica entre os dois sítios é inegável. Ambos apresentam uma [torre de] fortaleza equipada com depósitos subterrâneos e com uma parede frontal de pedra (proteichisma), e ambos os complexos habitacionais foram encontrados nas proximidades da torre... Também em Qumran havia dois complexos habitacionais, um de cada lado da torre... Um estudo comparativo das descobertas arquiológicas demonstra que Ramat ha-Nadiv e Qumran não eram os únicos fortes rurais da Palestina..., mas podem ser incluídos entre uma série de outras... fortalezas do período do segundo templo descobertas na área rural, tais como as que foram encontradas em ‘Ein et Turabeh perto de Qumran, em ‘Ein Guedi, em ‘Arad, em ‘Aroer, nas colinas de Hebron e no norte da Palestina, em Sha’ar ha-’Amaqim e Horvat Teffen.” Essa admissão não foi suficiente para que houvesse uma mudança no quadro dos estudos de Qumran, pois tornavam-se evidentes os traços de semelhança entre os dois sítios e a finalidade militar de cada uma delas. Portanto, Qumran é uma das tantas fortalezas da Judéia e nada prova que os ocupantes dessa fortaleza teriam qualquer relação com os manuscritos descobertos nas cavernas. Justamente neste ponto da discussão residem problemas, que foram classificados por Golb como um “conflito básico no mundo acadêmico”, relativamente, é claro, à qumranologia: “um conflito, a saber, entre as forças que guardam a santidade de um corpus de conhecimento acadêmico convencional e de seus criadores e aqueles que estão decididos a examinar as implicações dos novos conjuntos de evidências que contradizem e, portanto, ameaçam essa santidade”. Golb chama a atenção para um sério problema do mundo acadêmico, quando questiona valores do mundo do saber. E, no caso, as discussões devem ser vistas como um assunto específico do hebraísmo ou devem ser analisadas sob o ponto de vista das condições de investigação e produção científicas? Parece que pode ser sentida uma certa suspeição na evolução dos acontecimentos no que diz respeito à investigação arqueológica e divulgação dos resultados das pesquisas de Qumran. Imediatamente após as descobertas dos manuscritos, houve as primeiras tentativas de associá-los ao essenismo, sem que investigações acuradas tivessem sido levadas a cabo, para conclusões mais seguras. Sem que as escavações tivessem começado! O padre de Vaux e sua equipe escavaram o sítio e publicaram textos em que foi veiculada a interpretação tradicional, geralmente aceita, até que em 1967 foram afixadas placas em Qumran, com a descrição, agora oficial, da associação do sítio com os essênios: a teoria virou verdade nos livros de história, de teologia, nas enciclopédias... a ponto de serem rejeitadas críticas isoladas ao oficialmente prescrito. Acontece que aos poucos houve uma queda na ênfase com que era defendida essa avaliação; a partir dos anos setenta houve diminuição de publicações especializadas, embora os estudiosos tivessem aos poucos adquirido maiores informações sobre o conteúdo dos rolos. Nos anos oitenta um especialista de Oxford passa a integrar a equipe editorial oficial e começam a surgir oportunidades para propostas diferentes da tradicional; questiona-se igualmente a autenticidade do Rolo de Cobre e outros conteúdos relacionados à questão. Com isso, passa a sofrer abalos em sua credibilidade a opinião então aceita e começam a aparecer conflitos de interpretação e de ideias sobre os rolos e sobre a natureza e a finalidade do complexo de Qumran. Como era de se esperar, resistências houve e há, principalmente em Israel. Apesar disso, o jornal diário Haaretz publicou, em abril de 1995, um artigo crítico de Norman Golb que, a partir daí, começou a proferir palestras em Israel, quando teve oportunidade de divulgar suas ideias e fomentar um diálogo com especialistas e representantes da corrente contrária. Há um declínio da tese que associa os manuscritos com os essênios; a questão ainda não chegou a um consenso entre os especialistas. Sobre isso, assim se manifesta Roberta L. Harris: “...quase cinquenta anos após a descoberta dos primeiros rolos, ainda não existe um consenso com respeito à identidade da comunidade de Qumran, ao caráter das edificações do sítio, à natureza das crenças daqueles que escreveram os rolos ou à relação que eles tinham com o cristianismo, se é que de fato tinham alguma”. Vale a pena transcrever o que a respeito registra outro especialista, na revista Time, em 1995. O trecho sintetiza com propriedade a mudança de postura verificada na evolução do tratamento da questão e faz referência às tendências do estágio atual: “...os estudiosos a princípio pensavam que os Manuscritos do Mar Morto, com as suas intrigantes referências à iminente vinda de um messias, representavam os idiossincráticos dogmas de uma seita periférica de ascetas judeus conhecida como a seita dos essênios. No entanto, especialistas agora acreditam que os textos, que incluem fragmentos de códigos legais, oráculos e outros gêneros literários, refletem crenças amplamente difundidas no judaísmo do século I. A Terra Santa dos tempos de Jesus, mostram os rolos, pululava de fervor apocalíptico.”



















Uma surpresa na programação do dia: visita ao sítio tradicional do batismo de Jesus, na fronteira sul, entre Israel e Jordânia.

8º Dia – 12/04 – Galileia
Bem cedo, após o café da manhã, seguimos para Cesareia de Filipe (Banias), que registra acontecimentos que remontam ao período do Helenismo, sob a dinastia dos Ptolomeus, no século III a.C., sendo também conhecida pela famosa afirmativa do Apóstolo Pedro a respeito de Jesus: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo”. Visitamos tel Dan que, de acordo com escavações arqueológicas, pode ter sido ocupada a partir de 4.500 a. C., tendo sido ocupada também na era do bronze e ferro até ser ocupada em períodos como Persa, Helenístico e Romano. Era uma região pertencente à Tribo de Dan. O tel Dan fica ao norte de Israel onde é possível ver uma das fontes do rio Jordão. Retornamos para visitar Korazin que, conforme descrita nos evangelhos, é uma das cidades onde Jesus fez mais milagres, e justamente por causa da dureza do coração do seu povo, o Messias profetizou contra ela. As ruínas de Korazin aparentemente pequenas, ocupando uma área de 100.000 metros quadrados, o que em proporções da antiguidade é bem grande. Na cidade foram feitas descobertas arqueológicas de extrema importância para compreensão do papel de Korazin nos dias de Jesus. Retorno ao hotel e descanso.
A sinagoga em Corazim é de estilo típico "galileu". As características destas sinagogas são: 1) forma de basílica com três naves separadas por duas linhas de pilares, 2) três entradas, sendo a central a maior; 3) bancos em torno das paredes internas, 4) um pedestal para suportar o peso dos arcos.
A “cadeira de Moisés” de basalto foi encontrada nos anos vinte e possui uma inscrição em aramaico comemorando a Yudan. Jesus refere-se a este lugar de autoridade “na cadeira de Moisés se assentaram os escribas e os fariseus. Fazei e guardai tudoi quanto eles vos disserem, porém não os imiteis em suas obras, porque dizem e não fazem”(Mt 23:2-3).







9º Dia – 13/04 – Galileia
Iniciamos nosso dia com uma visita a Caná da Galileia, lugar do primeiro milagre público do Senhor. Depois prosseguimos para um agradável passeio de barco pelo Mar da Galileia até chegar ao Museu do Barco, onde existe um barco da época de Jesus, restaurado por arqueólogos após ter sido encontrado na lama, às margens do mar da Galileia. Seguimos para o tradicional Monte das Bem-aventuranças, onde Jesus proferiu o Sermão do Monte. Descemos até Cafarnaum, que era o centro do ministério de Jesus; Tabgha, local onde tradicionalmente se radica o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes. Terminamos nosso dia com uma visita às ruínas Kursi, cidade que é associada ao endemoninhado geraseno.
Sobre o Monte das Bem-aventuranças
o chamado "Sermão do Monte" está registrado em Mateus 5-7 e Lucas 6. As discrepâncias entre a versão de Mateus, que o localiza em uma colina, e Lucas, em uma planície, podem ser facilmente reconciliadas, se se observa as várias planícies nas encostas da Galileia. A Bíblia não dá uma indicação precisa do evento, mas os bizantinos construíram uma igreja para comemorar o Sermão nas encostas do Monte. Alguns dos homens de Napoleão as  localizaram no vizinho Monte Arbel. 
Propor este monte como o local do Sermão da Montanha é uma boa sugestão. Este lugar era outrora conhecido como Monte Eremos. Este monte está localizado entre Cafarnaum e Tabgha e está um pouco acima da "Enseada do Semeador".
A capela: A montanha tem no seu cume uma capela católica construída pelas Irmãs Franciscanas, em 1939, com o apoio do governante italiano Mussolini. O edifício, construído pelo renomado arquiteto Antonio Barluzzi, é cheio de simbolismos numéricos. Em frente à igreja, os símbolos na calçada representam  Justiça, Prudência, Fortaleza, Caridade, Fé e Temperança. Dentro da igreja está pendurada a capa da visita do Papa Paulo VI, em 1964.
As bem-aventuranças: Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.  Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.  Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos.  Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.  Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós.
A planície de Genezaré – O Monte das Bem-Aventuranças descortina uma vista para a panície de Genezaré, uma grande área cultivada por sua fertilidade. Josefo disse que esta planície era "a razão pela qual a natureza é coroada". Várias vezes o Novo Testamento registra Jesus atuando nesta área, incluindo quando curou as multidões aqui e enfrentou sentenças dos fariseus pela sua impureza ritual (Mc 6-7).
Tabga, Também conhecida como Heptapegon, el-Oreme, En Sheva, 'En Sheva, et-Tabga.
A 3 km a oeste de Cafarnaum se encontra o lugar que Josefo chamou de "fonte de Cafarnaum". Para os moradores locais, este é certamente um local popular para a pesca devido às suas famosas "sete fontes". Heptapegon (nome hoje deformado e  conhecido como Tabga) é o local tradicional de vários episódios no ministério de Jesus.
As sete fontes de Tabga (hoje apenas seis delas foram descobertas) produzem águas mais quentes do que as do Mar da Galileia. O calor da água ajuda na produção de algas, que por sua vez atrai os peixes. Pescadores têm frequentado a área por milhares de anos.
Tabga é o local tradicional da vocação dos discípulos. Acredita-se que Jesus caminhou ao longo da costa e chamou Simão Pedro e André, que lançavam as redes ao lago. Em seu caminho, viu também outros irmãos, Tiago e João, que estavam preparando as suas redes com seu pai Zebedeu. Jesus chamou-os todos a segui-lhe.
Encontrou-se  evidências de atividade marítima em Tabga na recente descoberta de um porto. Isso é visível quando o nível da água é -211,50 m. ou menos. O lado oeste do quebra-mar tinha  60 m de comprimento. Outro quebra-mar, de 40 m., se encontrava perpendicular à costa e protegia a bacia 30 m de largura, na qual se entrava pelo  leste.
A primazia de Pedro: Segundo João 21, Jesus se reúne novamente com os seus discípulos para seu "último café da manhã." Aqui ele restaurou  a Pedro,depois de haver negado Jesus três vezes, quando perguntado três vezes se ele o amava. A tradição católica liga este evento com a nomeação de Pedro como o principal líder da igreja. A rocha do lado esquerdo é o local tradicional onde Jesus teria chamado os discípulos.
Pães e peixes: mosaico bizantino preservado em baixo de uma igreja moderna, mas era parte de outra igreja que comemorava o evento em que  Jesus alimentou os cinco mil. Os peregrinos bizantinos estavam errados em colocar este milagre aqui, porque a Bíblia diz que isso aconteceu em um local remoto, perto de Betsaida. O artista, aparentemente, não tinha conhecimento de peixes do lago, que não têm barbatanas dorsais. 
Kursi está localizado perto da costa oriental do mar da Galileia, na margem do leito do rio Nahal Samakh, descendo das colinas de Golan. Kursi foi identificado pela tradição como o local do "Milagre dos Porcos", ocasião em que Jesus curou um ou dois homens possuídos por demônios, transferindo-os a um rebanho de porcos (Marcos 5.1-20, Mateus 8. 28-34). Lucas 8. 26-39). Os detalhes diferem um pouco nos três evangelhos que tratam do episódio, e novamente um pouco mais em vários manuscritos antigos desses mesmos evangelhos. Os eventos ocorrem na terra dos Gerasenos, Gadarenos ou Gergesenos (Marcos 5. 1, Mateus 8.28, Lucas 8.26). Exorcizado foi um homem, conforme Marcos e Lucas, ou dois, segundo Mateus.
O mosteiro e sua igreja foram construídos no século V, permanecendo em uso durante todo o período bizantino (em termos judaico-israelenses: nos períodos mishnaico e talmúdico). Sendo este um importante local de peregrinação, foram construídos vários edifícios para a acomodação de peregrinos, bem como para a comunidade monástica local, todos cercados por muros e outras fortificações. Em 614, os exércitos sassânios (persas) invadiram a Palestina, devastando a maioria de suas igrejas e mosteiros, incluindo a de Kursi. A igreja foi reconstruída mais tarde, mas parte do assentamento destruído foi deixado em seu estado arruinado. A igreja continuou funcionando sob o domínio muçulmano após a conquista da Palestina em 638-641 até ser totalmente devastada pelo terremoto de 749. Os ocupantes árabes usaram as ruínas como moradias e para armazenamento no século IX, marcando o fim do uso de Kursi como local de peregrinação cristã.
 O mosteiro é cercado por uma parede de pedra retangular medindo 145 x 123 metros. A entrada de frente para o Mar da Galileia era guardada por uma torre de vigia, e uma estrada pavimentada levava a um porto, onde os barcos de peregrinos podiam atracar. Uma vez dentro da muralha, os peregrinos tinham a opção de ir primeiro para uma luxuosa casa de banho (área escavada à esquerda / norte da entrada), ou ir direto para a igreja central. Com 24 x 45 metros quadrados de área, a igreja foi introduzida através de um pátio que se abre para um átrio ou pátio interno, seguido pela igreja propriamente dita, ladeada por capelas e salas auxiliares. A igreja é do tipo basilical, com duas filas de colunas que a separam em uma nave e dois corredores. O chão de mosaico da nave consiste em desenhos geométricos, enquanto os corredores laterais continham medalhões com representações da flora e fauna locais; a maioria destes foi destruída, provavelmente após a invasão muçulmana, mas alguns ainda são visíveis, como gansos, pombas, camarões e peixes, cidras, tâmaras, romãs e uvas. A capela do batistério no lado sul da abside central tem uma pequena pia batismal, e o piso de mosaico inclui uma inscrição indicando que foi colocada no ano 585. Uma escadaria (não acessível aos visitantes) leva do extremo sul do nártex a uma cripta usada para enterros, onde os arqueólogos encontraram vários esqueletos intactos. Entre os quartos do lado norte, há um que contém uma prensa de azeite. O átrio é construído em grande parte sobre uma grande cisterna, como se pode ver nas duas cabeças dos poços; uma escada que leva até a cisterna não é acessível aos visitantes.
Uma pequena capela bizantina ficava do lado de fora do complexo principal, na colina ao sul. Aqui, um grande pedregulho provavelmente foi considerado o local exato do milagre. Restos foram descobertos do que poderia ter sido uma torre construída ao redor da pedra e de uma capela espremida entre a encosta e a pedra. Três camadas distintas de piso de mosaico e uma abside foram escavadas aqui.
Arqueologia: o complexo monástico: As ruínas do mosteiro foram desenterradas pela primeira vez por equipes de construção de estradas em 1970, e a maior escavação ocorreu entre 1971 e 1974, liderada pelo arqueólogo israelense Dan Urman e seu colega grego Vassilios Tzaferis para a Autoridade de Antiguidades de Israel. Juntos, eles escavaram o maior complexo monástico bizantino encontrado em Israel. Outras escavações, desde então, ocorreram. A casa de banho revestida de mármore é uma das descobertas mais recentes.
A igreja foi reconstruída em um nível que permite ao visitante entender sua forma e tamanho tridimensionais. Artefatos cristãos de Kursi podem ser vistos no Museu Arqueológico de Golan.
A Sinagoga: Um edifício que pode ter sido uma sinagoga também foi desenterrado; uma grande laje de mármore inscrita em aramaico foi encontrada dentro desse prédio, e duas palavras foram decifradas logo após a descoberta: "amém" e "marmaria"; a segunda, literalmente "mármore", foi interpretada por alguns estudiosos como talvez ligada ao culto da Virgem Maria, possivelmente significando "o grande rabino de Maria", já que "mar" significa rabino.
















10º Dia – 14/04 – Galileia / Cesareia Marítima / Tel Shilo / Jerusalém
Partindo de Tiberíades seguimos para Cesareia Marítima, junto ao Mar Mediterrâneo. É uma cidade construída por Herodes Magno e sede do governo romano sobre Israel. É também o local da conversão do Centurião Cornélio e da prisão e julgamento do apóstolo Paulo. Em Cesareia vimos, entre outras coisas, um bem conservado teatro romano, um hipódromo, resquícios de um palácio de Herodes e as ruínas de um grande porto construído por Herodes Magno. Depois visitamos o Aqueduto, que abastecia a cidade com água canalizada das proximidades do Monte Carmelo. Depois partimos para Shiloh, que é mencionada no Velho Testamento como um lugar de reunião para o povo de Israel onde havia um santuário contendo a Arca da Aliança até ela ser tomada pelos Filisteus.
Na costa Mediterrânea, entre Tel Aviv e Haifa, ergue-se Cesareia, cidade moderna que mantém muito do esplendor de dois mil anos atrás, quando Herodes a tornou o maior porto do Império Romano. A grandiosidade da antiga cidade foi revelada pelas escavações arqueológicas realizadas nas décadas de 1950, 1960 e 1990. 
Herodes, que Roma colocara no trono da Judeia em 37 a.E.C., recebera do imperador César Augusto, como recompensa por sua lealdade, a Torre de Straton, Pyrgos Stratonos, antigo porto fundado pelos fenícios, no século 3 a.E.C. Grande admirador da cultura greco-romana, o monarca transformou o porto, em um curto período de 13 anos - de 22 a 9 a.E.C. - na segunda maior cidade da Judeia, secundando apenas Jerusalém, e a chamou de Cesareia, em homenagem a César Augusto, seu grande protetor.
Em suas obras Antiguidades e Guerra Judaica, Flávio Josefo, historiador judeu do século 1º. de nossa Era, conta que devido à profundidade do mar, Herodes teve que criar uma enseada artificial para erguer o novo porto, ao qual deu o nome de Sebastos, nome grego do imperador Augusto. O quebra-mar construído está atualmente a cinco metros abaixo do nível do mar. Para construção do novo porto, maior do que o famoso porto de Atenas, Pireus, Herodes importou tecnologia e materiais desenvolvidos por engenheiros romanos, em particular uma argamassa pozolânica, usada para preencher as estruturas de madeira colocadas na água para erguer as fundações do porto. Esta material constitui ligante muito potente na construção de grandes estruturas, especialmente por suas propriedades hidráulicas que permitem que as fundações sejam lançadas sob a água. Duas destas estruturas de madeira, uma quase intacta, foram encontradas por arqueólogos.
Essencial para o comércio entre o Império Romano e o Oriente, Cesareia tornou-se rapidamente o maior porto em funcionamento na costa oriental do Mediterrâneo, rivalizando com os de Jaffa e Acre. Além do valor estratégico e econômico, a importância da cidade estava diretamente relacionada à vontade de Herodes em fazer desta o maior centro de cultura greco-romano na Judeia.
Totalmente murada, a cidade de 200 acres era uma polis, uma cidade greco-romana em sua estrutura e concepção. Flávio Josefo relata que Herodes a construíra "inteiramente em pedra branca, ornando-a de palácios magníficos. E foi lá, mais do que em qualquer outra parte, que Herodes implementou a grandeza do seu gênio".
Sobre um pódio elevado diante do porto, o monarca erguera um templo dedicado ao imperador César Augusto. Na parte meridional da cidade estava o palácio real, cuja grandiosidade foi revelada pelas escavações realizadas ao longo de décadas. As duas colunas com inscrições em grego e latim encontradas, com nomes dos governadores romanos da Província da Judeia, comprovam que o palácio real ficou em uso durante todo o período romano.
Como em toda cidade romana, havia em Cesareia inúmeros edifícios públicos e locais de entretenimento. Na parte sul da cidade, de frente para o mar, foi construído o primeiro teatro romano do Oriente Médio, com milhares de lugares distribuídos em uma estrutura semicircular arqueada. O piso da orquestra era revestido de gesso pintado, passando a ser de mármore em período posterior. Havia, ainda na costa meridional, um amplo anfiteatro onde, a cada quatro anos, eram realizados jogos. Pelas dimensões, forma e instalações conclui-se que o anfiteatro também era usado para corridas de cavalos e bigas. Relata Josefo que Herodes ergueu no local uma gigantesca figura de César, não menor do que o Zeus olímpico, uma das sete maravilhas do mundo antigo. Na época de sua construção, o anfiteatro acomodava 8.000 espectadores, sendo sua capacidade ampliada para 15.000, no século 1o da Era Comum. Os lados oriental e setentrional ainda estão bem preservados, enquanto o ocidental foi destruído em grande parte pela ação do mar. Atualmente, o anfiteatro não é apenas uma relíquia do passado, mas um local moderno no qual são frequentemente realizados shows e espetáculos.
Para garantir à cidade constante suprimento de água potável, Herodes construiu um aqueduto de mais de 18 km, que se estendia ao longo da costa trazendo água de fontes localizadas no sopé do Monte Carmelo. A água entrava pelo norte e corria por um sistema de tubulação às cisternas e fontes da cidade. Um sistema de drenagem por baixo da cidade levava o esgoto para o mar.
Dois anos após a morte de Herodes, no ano 6, a Judeia passou a ser governada diretamente por procuradores romanos, que fizeram de Cesareia a capital administrativa da região e o quartel-general da 10ª Legião Romana.
Presença judaica
Embora erguida nos moldes de uma cidade helênica, havia em Cesareia uma comunidade judaica grande e poderosa, que vivia lado a lado com pagãos helenizados, principalmente gregos. Desde a época dos macabeus, quando no ano 96 a.E.C., por um breve período, o porto fez parte do reino hasmoneu, um número crescente de judeus vivia na cidade.
As disputas entre a comunidade judaica e os pagãos helenizados eram frequentes em Cesareia, sendo que uma dessas deu início, no ano 66 desta Era, aos distúrbios que resultaram na 1a Grande Revolta Judaica (66-73). As grandes revoltas movidas pelos judeus da Judeia contra o Império Romano não devem ser encaradas apenas como sublevações por um povo colonizado. Eram também o resultado do confronto entre o judaísmo, seus valores e a cultura grega adotada pela grande maioria dos habitantes do Império Romano, principalmente no Oriente.
O distúrbio precursor da 1ª. Grande Revolta teve início quando alguns gregos realizaram uma cerimônia pagã, na entrada da sinagoga. Os judeus consideraram o ato um insulto e apelaram para as autoridades romanas. Adeptas da cultura grega, estas desprezavam o judaísmo e favoreciam os não judeus que viviam na Terra de Israel. Quando as autoridades se pronunciaram contra os judeus, a população grega da cidade celebrou a vitória entrando no bairro judaico e massacrando milhares de pessoas. A guarnição romana nada fez para impedir a violência.
Ao chegar a Jerusalém, as notícias das mortes causaram tumulto. Os ânimos se acenderam ainda mais quando Florus, o procurador romano, apoderou-se de uma grande quantidade de objetos de prata do Templo Sagrado. Enfurecidos e revoltados, milhares de judeus atacaram e destruíram uma pequena praça militar localizada em Jerusalém. Era o início da 1ª. Grande Revolta.
Para reprimi-la, Roma enviou à Judeia o general romano Vespasiano, que fez de Cesareia o seu quartel-general, até ser empossado imperador, no ano 69. Seu filho, Tito, ficou encarregado de debelar a revolta na Judeia e foi ele quem liderou o ataque final a Jerusalém e ao Grande Templo. Ambos tombaram em Tisha B'Av do ano 70. Dezenas de milhares de judeus foram mortos e outros tantos levados pelos romanos como escravos.A maioria da comunidade judaica de Cesareia foi morta durante a guerra travada contra Roma e, no anfiteatro construído por Herodes, em comemoração ao aniversário de seu irmão, Domiciano, Tito obrigou cerca de 2.500 judeus a lutar contra animais selvagens.
Durante a 2a Revolta Judaica (132-135), mais uma vez a cidade foi palco de tortura e execução de milhares de judeus, entre os quais Rabi Akiva, um dos maiores e mais importantes sábios e líderes religiosos da história judaica, e todos os seus discípulos.
No século 2o desta Era, Cesareia transforma-se em uma das mais importantes cidades da parte oriental do Império Romano e, a partir do início do século 3o, volta a crescer o número de judeus que viviam na cidade. É nesta época que Rabi Eleazar Ha-Kappar, conhecido como Bar Kappara, funda um centro de estudos talmúdicos que chegava a rivalizar com o de Séforis, encabeçado pelo Rabi Yehudah Ha-Nasi.
Com a divisão do Império Romano, Cesareia passou a fazer parte do Império Bizantino. A Cesareia bizantina, cuja população era composta por cristãos, samaritanos e judeus, era cercada por uma muralha de 2,5 quilômetros que servia de proteção aos bairros residenciais construídos fora da cidade de Herodes. No período, o porto interno foi bloqueado, sendo erguidos edifícios no local. O anfiteatro também perdeu sua função original e, em seu lugar, construíram um palácio de dois andares.
A vinda dos árabes
Cesareia foi conquistada em 639 pelos exércitos árabes. Os 20 mil judeus que viviam na cidade, oprimidos e discriminados pelas autoridades cristãs bizantinas, receberam com alívio os conquistadores. Apesar de o porto ser totalmente abandonado, a fertilidade das áreas ao redor de Cesareia fazia desta uma das mais prósperas cidades da região.
Em 1101 os exércitos cruzados liderados pelo rei Balduíno I, conquistam a cidade. Sob os cristãos, a vida dos judeus se torna muito difícil, o que fez com que em 1170 apenas 20 lá vivessem. Em 1187, após um cerco de curta duração, Cesareia cai nas mãos de Saladino, Salah al-Din Yusuf bin Aiub, responsável por reconquistar os territórios perdidos pelo Islã, inclusive a maior parte do reino de Jerusalém. No entanto, a cidade ficaria em mãos islâmicas por poucos anos, sendo novamente reconquistada em 1191 por Ricardo Coração de Leão, rei da Inglaterra, que consegue expulsar os muçulmanos. Durante os séculos 12 e 13 o controle sob Cesareia era exercido ora pelos cruzados ora pelos muçulmanos.
Na segunda metade do século 13, o rei francês Luís IX decidiu restaurar e fortificar a cidade. É desse período a impressionante fortaleza cruzada que até hoje pode ser vista, como lembrança de outros tempos. Mas, as fortificações não bastaram para resistir às forças islâmicas lideradas pelo sultão mameluco Baybars.
Em 1265, temendo um retorno dos cruzados, os conquistadores mamelucos derrubaram completamente as fortificações da cidade, deitando-as por terra. Entulhos bloquearam o escoamento das águas do aqueduto que, por mais de mil anos, abastecera a cidade. As águas não represadas espalham-se, transformando o norte de Cesareia em pântano e formando enormes dunas, com o correr dos anos.
A cidade permaneceu abandonada até que, em 1878, os turcos otomanos lá assentaram refugiados muçulmanos vindos da Bósnia. O vilarejo foi abandonado durante a Guerra da Independência, em 1948.
Após 1948
Moderna e próspera, a Cesareia de nossos dias abriga parques empresariais e tecnológicos. É também um dos principais pontos turísticos do país, com um majestoso sítio arqueológico. Escavações realizadas na década de 1950 e 1960 por arqueólogos israelenses e estrangeiros trouxeram à luz impressionantes vestígios da grandiosidade da cidade de Herodes e da época cruzada. A partir de 1990, duas novas expedições iniciaram trabalhos na região: uma dirigida pelo Departamento de Antiguidades de Israel e outra, a Expedição Conjunta de Cesareia, um empreendimento do Centro de Estudos Marítimos da Universidade de Haifa em conjunto com a Universidade de Maryland e o Instituto de Arqueologia da Universidade de Haifa.
Em 2006, foi inaugurado na cidade o primeiro museu submerso do mundo. Desde então, os visitantes podem mergulhar e ver as ruínas do magnífico porto construído por Herodes.





















11º Dia – 15/04 – Jerusalém / Planície da Judeia
Pela manhã partimos para Khirbet Qeiyafa que é o local de uma antiga cidade fortaleza com vista para o Vale do Elah. As ruínas da fortaleza foram descobertas em 2007. Visitamos Tel Azekah, que guarda entre outras coisas, a história da luta entre Davi e Golias. Chegamos a Beit Guvrin, uma importante cidade na época romana, quando era conhecida como Eleutheropolis. Seguimos para Tel Maresha, que era a vigia de Israel, localizada no topo da montanha, e significa: "Aquela que vê", pois quando os inimigos estavam próximos à antiga cidade, as sentinelas avisavam a Israel. Partimos para Tel Gezer, este é um local singular, bem diferente geograficamente da região montanhosa da Judeia, pois nele podem ser encontrados indícios arqueológicos impressionantes das civilizações que existiram ali.
AZECA – [duma raiz que significa “cavar” [isto é, com enxada]].
Uma cidade na região da Sefelá, que guardava os limites superiores do vale de Elá. O lugar é identificado com Tell Zakariyeh (Tel ʽAzeqa), a uns 26 km ao NO de Hebrom.
A primeira menção da cidade ocorre em Js 10.5-11, com respeito ao ataque coligado de cinco reis cananeus contra Gibeão. Josué e seu exército, vindo em socorro de Gibeão, perseguiram os exércitos cananeus “até Azeca e Maquedá”, uma distância de cerca de 30 km. A cidade foi depois designada à tribo de Judá (Js 15.20, 35).
Durante o reinado do Rei Saul (1117-1078 AEC), os filisteus juntaram suas forças entre Socó e Azeca, apresentando Golias como seu campeão. Quando os israelitas chegaram, os dois exércitos se confrontaram em lados opostos do vale de Elá, até que a vitória de surpresa de Davi sobre Golias pôs em fuga os filisteus  (1Sa 17.1-53).
Com a divisão da nação, depois da morte de Salomão (c. 998 AEC), o Rei Roboão, de Judá, fortificou Azeca, junto com Laquis e outras cidades estratégicas. (2Cr 11:.-10) Escavações feitas em Tell Zakariyeh revelam os restos de muros e torres, e a evidência duma cidadela fortificada no ponto mais alto desse lugar.
Quando as tropas babilônicas de Nabucodonosor invadiram o reino de Judá (609-607 AEC), Azeca e Laquis foram as duas últimas cidades fortificadas a cair, antes da derrota da própria Jerusalém. (Jr 34.6, 7) A aparente confirmação disso foi revelada pela descoberta dos óstracos inscritos, chamados de Cartas de Laquis, um deles contendo a seguinte mensagem, evidentemente dirigida por um posto militar avançado ao comandante militar de Laquis, que reza, em parte: “estamos atentos aos sinais de Laquis, segundo todas as indicações que meu senhor deu, porque não podemos ver Azeca” (Ancient Near Eastern Texts [Textos Antigos do Oriente Próximo], editado por J. B. Pritchard, 1974, p. 322) Se, conforme parece ser o caso, esta carta foi escrita no tempo do ataque babilônico, indicaria que Azeca já havia caído, de modo que não se recebiam mais sinais dessa fortaleza.
Depois do período de setenta anos de desolação do país, Azeca foi uma das cidades repovoadas pelos exilados judeus que voltaram (Ne 11.25, 30).
Azeca, uma cidade na região da Sefelá, que guardava os limites superiores do vale de Elá. O lugar é identificado com Tell Zakariyeh (Tel ‛Azeqa), a uns 26 km a noroeste de Hebron.
História
A primeira menção da cidade ocorre em Josué 10:5-11, com respeito ao ataque coligado de cinco reis cananeus contra Gibeão. Josué e seu exército, vindo em socorro de Gibeão, perseguiram os exércitos cananeus “até Azeca e Maquedá”, uma distância de cerca de 30 km. A cidade foi depois designada à tribo de Judá.
Durante o reinado do Rei Saul (1117-1078 AEC), os filisteus juntaram suas forças entre Socó e Azeca, apresentando Golias como seu campeão. Quando os israelitas chegaram, os dois exércitos se confrontaram em lados opostos do vale de Elá, até que a vitória de surpresa de Davi sobre Golias pôs em fuga os filisteus.
Com a divisão da nação, depois da morte de Salomão (c. 998 AEC), o Rei Roboão, de Judá, fortificou Azeca, junto com Laquis e outras cidades estratégicas.3 Escavações feitas em Tell Zakariyeh revelam os restos de muros e torres, e a evidência duma cidadela fortificada no ponto mais alto desse lugar.
Quando as tropas babilônicas de Nabucodonosor invadiram o reino de Judá (609-607 AEC), Azeca e Laquis foram as duas últimas cidades fortificadas a cair, antes da derrota da própria Jerusalém. A aparente confirmação disso foi revelada pela descoberta dos óstracos inscritos, chamados de Cartas de Laquis, um deles contendo a seguinte mensagem, evidentemente dirigida por um posto militar avançado ao comandante militar de Laquis, que reza, em parte: “estamos atentos aos sinais de Laquis, segundo todas as indicações que meu senhor deu, porque não podemos ver Azeca”.5 Se, conforme parece ser o caso, esta carta foi escrita no tempo do ataque babilônico, indicaria que Azeca já havia caído, de modo que não se recebiam mais sinais dessa fortaleza.
Depois do período de setenta anos de desolação do país, Azeca foi uma das cidades repovoadas pelos exilados judeus que voltaram.6
Beit Guvrin (Tell Maressa)
Também conhecida como Betogabris, Eleutheropolis, Tel Maresha, Sandahanna, Beit Jibreen, Bet Giblin, Beth Guvrin, Bet Guvrin, Gibelin, Maressa
Vista aérea de Maressa, um local emocionado no Antigo Testamento, uma cidade de Judá dada ao clã de Calebe (Js 15.44). Foi destruída por Senaqueribe em 701 a.C. e eventualmente se tornou a capital dos idumeus. Após sua destruição pelos partos em 40 aC, o centro populacional moveu-se 3,2 km ao norte, para um local hoje conhecido como Beth Guvrin. Este local tinha sido um subúrbio de Maressa e no período romano tornou-se o maior centro de concentração da população.
Beth Guvrin acabou sendo conhecido como Eleuterópolis ("Cidade do povo livre") na parte final do Período Romano (200 dC), quando o imperador Septimus Severus fez dela um importante centro administrativo. O anfiteatro data deste período e foi usado para lutas de gladiadores e animais. Uma das diferenças mais óbvias entre anfiteatros e teatros é que o anfiteatro é oval e o teatro tem a forma de um semicírculo.
Oitocentos buracos em forma de sino foram encontrados na área, como restos de uma antiga pedreira. Esta pedreira provavelmente data dos séculos IV-IX. A pedra da pedreira era muito macia para ser usada na construção. Foi então extraída para fazer fogo e queimar cal enquanto era usada para argamassa e gesso. A pedreira era aberta através de uma abertura, que media um metro na superfície dura de Nari, e depois era ampliada para criar a mina.
Nos tempos antigos, os pombos eram criados por sua carne e o seu estrume, que era usado como fertilizante. Este grande columbário data aproximadamente do ano 200 a.C. e tinha a forma de uma cruz dupla de quase 30 m de comprimento.
Durante o período helênico (ou talvez persa), um grupo de sidônios se estabeleceu em Maressa. Esta tumba preciosamente decorada foi usada por Apolophanes, o chefe do assentamento sidônio por 33 anos. Esta tumba foi ocupada desde o século III até o século I a.C. O fundo da caverna tem a forma de uma cama e é o local de repouso do patriarca sidônio. Numerosos nichos foram cavados em cada lado desta câmara.
GEZER
Gezer, uma das mais importantes cidades dos períodos canaanita e israelita, está situada no caminho entre as atuais Jerusalém e Tel Aviv. Ela provavelmente foi reconstruída por Salomão (1 Rs 9.15), depois que o Faraó a destruiu e a doou a Salomão.  Mas a cidade foi ocupada desde o período Calcolítico até o período Romano. Após dois anos de amplas escavações arqueológicas, a cidade foi identificada como a Gezer bíblica em 1871[1], pelo importante arqueólogo francês Charles Clermont-Ganneau (1846-1923). É citada na Bíblia Sagrada nos livros de 1 Reis, Josué, Juízes, 1 Crônicas e 2 Samuel.
Gezer, a cerca de 30 quilômetros de Jerusalém, era uma cidade canaanita de grande expressão na Idade do Bronze e do Ferro. Depois de ser uma cidade canaanita, foi também uma cidade fenícia e depois israelita, e durante muito tempo deste período esteve sob o controle de Egito. Era protegida por uma grande muralha, com uma gigantesca torre de observação que possibilitava uma visão privilegiada de todo o vale ao redor. Foi a maior construção de caráter defensivo do período.
Entre os achados arqueológicos da área está o Portal do Bronze Médio, construído mais ou menos em 1650 a.C., com uma fundação de pedras e uma fortíssima estrutura de tijolos de argila. Era a entrada principal da muralha perimetral da cidade, que tinha 4 metros de largura e várias torres de vigia retangulares (até agora, foram descobertas 25 delas). Estudiosos especulam que a cidade tenha sido destruída pelas tropas do faraó Thutmoses III, quando invadiu a região, em 1477 a.C.
Os Megálitos de Gezer e outros achados
Nas primeiras escavações locais, foram achadas dez grandes pedras que, reerguidas pelos arqueólogos, revelaram ser uma estrutura megalítica (construção monumental com base em grandes blocos rústicos de pedra, como pilares). Os estudiosos calculam que foram erguidas perto de 1500 a.C. pelos canaanitas, e poderiam ser o símbolo de uma aliança com outros povos, ou um lugar de oração. Algumas das pedras chegam a 3 metros de altura (foto acima).
Outro arqueólogo, o irlandês Robert Stewart Macalister (1870-1950) e sua equipe, descobriram um sistema subterrâneo de distribuição de água para Gezer, em trabalhos para a universidade britânica de Cambridge. Conseguiram escavar entre 1902-1905 e 1907-1909 um trecho com cerca de 7 metros de bitola e 45 metros de extensão. A data da construção não pôde ser determinada com precisão por causa do rude estilo de Macalister pesquisar, desconsiderando os objetos encontrados no local.
Outro achado importante do britânico foi um calendário agrícola gravado em uma placa de limestone, uma pedra calcária macia de fácil manuseio para escavar ou gravar. A placa foi removida para preservação, e uma réplica foi instalada na pedra em que foi encontrada (foto abaixo).
Macalister havia identificado uma grande estrutura local como um castelo macabeu. Porém, estudos posteriores descobriram ser um grande portal dos tempos de Salomão, bem parecido com os encontrados em Megido e Hazor.
A mais ambiciosa escavação (depois de Macalister) foi feita pela Hebrew Union College Biblical and Archaeology em Jerusalem, começando em 1964/65 sob a direção de G.E Wright e continuando até 1972. O arqueólogo principal foi William Dever, junto com H.D Lance e no ano final sob a direção de Joe Seger.










12º Dia – 16/04 – Jerusalém
Após o café da manhã partimos para nosso programa. Os locais visitados foram organizados de acordo com a melhor dinâmica para o dia dentro da cidade: o Monte do Templo; o Bairro Herodiano; a Casa Queimada; o Monte das Oliveiras; o DominusFlevit; o Jardim do Túmulo; Lithostrotos; o Museu de Israel; a Maquete de Jerusalém.
Monte das Oliveiras – Cadeia de morros arredondados de calcário, situada do lado leste de Jerusalém, à distância da “jornada de um sábado”, e separada da cidade pelo vale do Cédron (Ez 11:23; Za 14:4; At 1:12). Essa cadeia inclui três cumes principais. O monte Scopus, de maior altura e situado mais ao norte, eleva-se a cerca de 820 m e, assim, ultrapassa a elevação geral de Jerusalém. O chamado monte da Ofensa, ou monte da Ruína, é o mais sulino dos cumes e eleva-se a cerca de 740m. O cume central, defronte do monte do Templo, tem por volta de 812m no ponto mais elevado e é aquele geralmente mencionado na Bíblia como o monte das Oliveiras. Antigamente esta serra estava coberta de palmeiras, de murtas, de árvores oleaginosas, e, especialmente, de oliveiras. (Ne 8:15) Foi das oliveiras que esta serra obteve seu nome. Durante o sítio de Jerusalém pelos romanos em 70 EC, contudo, o monte das Oliveiras foi desnudado de suas árvores. — The Jewish War (A Guerra Judaica), V, 523 (xii, 4).
Notáveis eventos da história bíblica estão relacionados com o monte das Oliveiras. O Rei Davi, descalço e chorando, subiu o monte das Oliveiras ao fugir de seu filho rebelde, Absalão (2Sa 15:14, 30, 32). O Rei Salomão construiu altos para a adoração idólatra ali “à direita [ao sul] do Monte da Ruína”, mas o Rei Josias, mais tarde, os tornou inapropriados para a adoração (1Rs 11:7; 2Rs 23:13 n). No primeiro século EC, Jesus Cristo freqüentemente se reunia com seus discípulos no jardim de Getsêmani, situado no monte das Oliveiras, ou nas suas proximidades. (Mt 26:30, 36; Jo 18:1, 2) Quando estavam em Jerusalém, Jesus e seus discípulos costumavam passar a noite em Betânia, na encosta L do monte das Oliveiras, sem dúvida no lar de Marta, Maria e Lázaro. (Mt 21:17; Mr 11:11; Lu 21:37; Jo 11:1) Pelo que parece, de Betfagé, perto de Betânia, Jesus, montado num jumentinho, iniciou sua cavalgada triunfal pelo monte das Oliveiras até Jerusalém. (Mt 21:1, 2; Mr 11:1; Lu 19:29) E foi no monte das Oliveiras que ele explicou a seus discípulos qual seria o ‘sinal de sua presença’. (Mt 24:3; Mr 13:3) Por fim, após sua ressurreição, Jesus ascendeu dali para os céus. — At 1:9-12.
Moriá (Monte do Templo)
Nome da elevação rochosa em que Salomão construiu um magnífico templo para Jeová. Anteriormente, seu pai Davi comprara o terreno do jebuseu Araúna (Ornã) para erigir ali um altar, uma vez que este foi o divinamente indicado meio de acabar com o flagelo resultante do pecado de Davi relacionado com um censo (2Sa 24:16-25; 1Cr 21:15-28; 2Cr 3:1).
A antiga tradição judaica vincula o lugar do templo com o monte na “terra de Moriá”, onde Abraão, às ordens de Deus, tentou oferecer Isaque (Gn 22:2; veja Jewish Antiquities [Antiguidades Judaicas], VII, 329-334 [xiii, 4].) Isto faria da “terra de Moriá” a região montanhosa em torno de Jerusalém. Foi para a “terra de Moriá” que Abraão viajou desde a vizinhança de Berseba; e, no terceiro dia, ele viu à distância este lugar divinamente designado ( Gn 21:33, 34; 22:4, 19.
Alguns têm objetado à identificação do monte Moriá com o monte do Templo em Jerusalém, por causa da sua distância de Berseba e de não ser observável “à distância”. Mas, Abraão devia fazer a viagem “à terra de Moriá”. No primeiro dia, Abraão levantou-se cedo, selou seu jumento, rachou a lenha, colocou-a sobre o animal, e depois iniciou a jornada. (Gn 22:2, 3) Foi “no terceiro dia que Abraão levantou os olhos e começou a ver o lugar [a terra de Moriá] à distância”. Assim, o segundo foi o único dia só de viagem. Sobre a visibilidade do monte Moriá e a distância da viagem, O Novo Dicionário da Bíblia observa: “Entretanto, a distância do sul da Filístia para Jerusalém é de cerca de 80 quilômetros, que bem pode requerer três dias de viagem, e no livro de Gênesis o lugar em foco não é um ‘monte Moriá’, mas um dentre diversos montes numa terra desse nome, e as colinas sobre as quais Jerusalém está edificada são visíveis à distância. Por conseguinte, não há necessidade de duvidarmos que o sacrifício de Abraão teve lugar no local que posteriormente foi Jerusalém, se não na colina do Templo.” (Editor Organizador J. D. Douglas, 1966, Vol. II, p. 1073, Junta Editorial Cristã). Portanto, é concebível que a jornada de uns 80 km a pé, de Berseba ao monte Moriá, tivesse levado mais de dois dias inteiros.
Evidentemente, o monte Moriá ficava bastante distante da Salém do tempo de Abraão, de modo que a tentativa de sacrificar Isaque não ocorreu em plena vista dos habitantes da cidade. Não há registro de que estes tenham presenciado o incidente ou tentado interferir nele. Que o lugar ainda se encontrava um tanto isolado séculos depois pode ser deduzido de que, nos dias de Davi, havia uma eira no monte Moriá. Todavia, não se faz nenhuma menção de construções naquele lugar ( 2Cr 3:1).
Atualmente, o santuário islâmico conhecido como Domo do Rochedo fica no alto do monte Moriá.
JERUSALÉM/MONTE DAS OLIVEIRAS/CAPELA DOMINUS FLEVIT
No encosto do Monte das Oliveiras fica a pequena igreja de Dominus Flevit (O Senhor chorou). Segunda a tradição, este é o lugar onde Jesus, olhando a cidade de Jerusalém chorou sobre ela.  
No século V, havia aqui um mosteiro e uma capela, ambos destruídos durante o século VII. Os Cruzados, após dominar o Monte das Oliveiras, construíram novamente uma pequena igreja. Com a reconquista da Terra Santa pelos Muçulmanos esta foi usada por algum tempo como mesquita e escola, chamada "El Mansurya" (a vitória). 
No fim do século XIX os Franciscanos compraram o terreno onde nos anos 1953-1954 construíram a atual igreja sobre as ruínas do mosteiro bizantino, ainda visíveis.
No terreno ao redor da capela foram encontrados um túmulo da época do rei Davi, portanto de uns 1000 aC. e túmulos da época romana e bizantina: um complexo de sarcófagos e ossuários, alguns com símbolos cristãos, provavelmente pertencendo a uma comunidade judeu-cristã. 
A tradição cristã neste lugar se baseia num trecho do evangelho de Lucas:
Quando Jesus chegou perto de Jerusalém e viu a cidade, chorou com pena dela e disse: -Ah! Jerusalém! Se hoje mesmo você soubesse o que é preciso para conseguir a paz! Mas agora você não pode ver isso. Pois chegarão os dias em que os inimigos vão cercá-la com rampas de ataque, e vão rodeá-la, e apertá-la de todos os lados. Eles destruirão completamente você e todos os seus moradores. Não ficará uma pedra em cima da outra, porque você não reconheceu o tempo em que Deus veio para salvá-la. (Lc 19,41-44)
Em tempos passados, quando certos teólogos discutiam a respeito dos sentimentos de Jesus este texto foi usado para "provar" que nada de humana era estranho a Jesus, apesar de não haver um texto que menciona que Jesus também ria.                                    
Porém, a interpretação do texto de Lucas fica superficial quando o interesse se dirige apenas aos sentimentos de Jesus. No evangelho de Lucas Jesus é apresentado com todas as características de um profeta. Também este texto deve ser lido a partir da ótica profética. Que Jesus chorou, não é em primeiro lugar por motivos sentimentais. Antes é um lamento profético sobre a cidade de Jerusalém, tal como existem diversos no Antigo Testamento, como, por exemplo no livro da Lamentação, atribuído ao profeta Jeremias. Este lamento é acompanhado de uma reclamação: "Ah! Jerusalém! Se hoje mesmo você soubesse o que é preciso para conseguir a paz! Mas agora você não pode ver isso".
O que isto significa pode ser entendido a partir de uma antiga lenda judaica:
 Depois que Isaac foi salvo no Monte Moriá, onde posteriormente foi construído o templo, seu pai Abraão chamou aquele lugar de “Deus proverá” (em hebraico: YHWH yirèh, cf. Gn 22,14). Ao ouvir isto Deus ficou em dúvida: concordar ou não com Abraão. O problema era que o filho de Noé, Sem, já viveu por ali e que tinha chamado aquele lugar de “Salém”, isto é paz. Aí Deus pensou: “Se eu concordar com Abraão vou ter uma discussão com Sem. Se dou razão a Sem, Abraão reclamará. Por isso vou chamar este lugar de “Yirèh-salém” (Jerusalém), isto é “Deus proverá a paz”.
Portanto a característica fundamental de Jerusalém é ser lugar da paz do Senhor. Perder a esta noção de paz significa perder a noção de sua própria identidade; é tornar-se uma cidade perdida. É por isso que Jesus diz que não ficará pedra sobre pedra. 
Parece que nada desta narração perdeu sua atualidade. Até hoje Jerusalém é uma cidade onde ainda não existe uma verdadeira paz. Nesta cidade santa Judeus, Cristãos e Muçulmanos, todos filhos de Abraão, ainda não conseguiram realizar uma paz plena. Israelenses consideram Jerusalém a eterna e indivisível capital do estado e não querem ceder um metro quadrado sequer aos Palestinos que reclamam a Jerusalém Oriental como capital do seu futuro estado independente.  Israelenses e Árabes que habitam esta mesma cidade, vivem muitas vezes em clima de alta tensão.  
A prece do Salmo 122: “Pedi a paz para Jerusalém: que estejam tranquilos os que te amam! Haja paz em teus muros, e estejam tranquilos teus palácios” nada perdeu de sua atualidade.

Lithostrotos ou Gábata

Gábata é uma palavra aramaica que designa um espaço em Jerusalém relacionado à paixão de Jesus. Este lugar também é conhecido a partir de seu nome grego Lithostrotos. O termo Gábata faz referência à língua aramaica falada na Judeia, todavia, não é uma tradução comum da expressão Lithostrotos. Ela caracterizava o piso esmaltado ou de mosaico que havia no tribunal, mas tal termo se expandiu para a frente da sala de julgamento de Pilatos, onde os pavimentos foram deixados.
O local é mencionado em uma passagem Bíblica de João (19.13), no qual o evangelista observa: Pôncio Pilatos “trouxe Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado Lithostrotos, em hebraico Gabatá.”
Pelo que se entende, é que os dois termos “Lithostrotos” e “Gabatá” surgiram devido aos aspectos contraditórios sobre o lugar onde Pilatos condenou à morte do Senhor Jesus. O nome em aramaico surgiu devido às configurações do espaço, a natureza e o piso. Há um costume e certa confusão na criação de nomenclaturas, isso é comprovado por João, que em outros locais colocou nomes sírios em alguns sítios, que não são meras traduções do grego. Isto também é provado pelo fato de “Gábata” ser oriundo de uma raiz com significado de “para trás” ou “elevador”, que não trata-se do tipo de pavimento, mas aborda a “elevação” do lugar em pauta.
Alguns estudiosos têm feitos grandes esforços para distinguir “Gabatá”, segundo o exterior do pátio do Templo, que é conhecido como um ambiente pavimentado, ou o ponto de encontro do Grande Sinédrio. O local estava meio dentro e meio fora dessa parte exterior do Templo, todavia, infelizmente, estes empenhos e pesquisas não podem ser considerados bem sucedidos.
A única máxima que pode ser concluída, a partir das palavras de São João é que “Gábata” indica o local de Jerusalém onde Pilatos detinha seu tribunal, onde também conseguiu fazer com que Jesus fosse traído, além de ser o lugar onde realizou uma audiência com a participação da multidão judaica, sua formal e final sentença de condenação.
O MUSEU de ISRAEL em Jerusalém
O Museu de Israel é sem dúvida alguma a maior e mais atrativa instituição cultural do país, considerado como um dos museus mais importantes do mundo em artes e arqueologia. Esta instituição foi fundada no ano de 1965 e hoje é composto de diversos setores como o de Arte Betzalel, a de arqueologia Bronfman e de Judaísmo e Etnia Judaica, bem como o setor Ruth especialmente voltado para os jovens.
O museu conta também com o maior acervo do mundo de objetos arqueológicos bíblicos e da Terra Santa como por exemplo os famosos Manuscritos do Mar Morto. Em apenas 40 anos de história o museu conseguiu colecionar um acervo de mais de 500.000 objetos graças ao apoio de diversas instituições internacionais nesta área. Entre as obras mais raras e de maior valor no museu estão os rolos dos manuscritos do Mar Morto, os mais antigos do mundo antigo que datam do de desde o século II A.C até o final do primeiro século. Os manuscritos contêm partes da Bíblia Hebraica e além disso, outros manuscritos considerados apócrifos. O Santuário do Livro, ou como é conhecido em português Museu do Livro é o lugar onde são abrigados os Manuscritos do Mar Morto, além de ser um centro de informação e estudos sobre o assunto.
Uma das mais recentes aquisições e acréscimos no Museu de Israel é uma grande maquete de Jerusalém do período do Segundo Templo. O modelo reconstitui uma reprodução da topografia e das características arquitetônicas da Cidade Santa no período do Segundo Templo até o período em que foi destruída no ano de 70 da ERA CRISTÃ. A maquete que foi exposta originalmente no antigo hotel Holy Land agora faz parte integral e permanente do Campus do Museu de Israel, não muito longe do Museu do Livro.
O Jardim de Esculturas de Arte Billy Rose é considerado um dos mais belos e foi desenhado pelo escultor Américo-Japonês Isamu Noguchi expondo uma síntese de diferentes culturas como a do Oriente Médio, do Extremo Oriente, do Ocidente bem como a Europeia e Americana. A coleção é exibida em um jardim que inclui grande obras de escultores como Menashe Kadishman, Henry Moore, Claes Oldenburg, Pablo Picasso, Auguste Rodin y James Turrell. O Setor Ruth que é dirigido para jovens e crianças é único em suas proporções e oferece a cada ano amplos programas de ensino para mais de 100.000 estudantes de escolas de todo o território de Israel e contém um espaço aberto de galerias, salas de estudos, bibliotecas, salas de leituras, livros ilustrados infantis, locais para reciclagem de materiais e arquivos para coleções.
Uma característica interessante para o setor Ruth é uma exibição programada para toda a família que combina obras de artes de diversos períodos da história de objetos que são extraídos de diversas coleções do museu, obras de israelenses e artistas internacionais bem como terminais de atividades interativas e de pesquisas.
A cúpula do Santuário do Livro tem o formato da tampa do vaso onde os pergaminhos foram encontrados. Um túnel, com diversos objetos arqueológicos ao longo do caminho, dá acesso ao interior da cúpula. Na sala principal, que é redonda, há uma reprodução contínua dos pergaminhos à sua volta e na parte central da sala estão normalmente os originais. Ao redor da sala, alguns pedaços dos pergaminhos originais ficam expostos em painéis com luminosidade e umidade controladas. Estes pedaços são periodicamente trocados por outros, afim de preservar estes documentos tão frágeis.
Os Pergaminhos do Mar Morto foram escritos por volta do século II A.C. segundo os testes realizados com a técnica de Carbono 14. Acreditava-se que eles poderiam estar referindo-se também a Jesus e seus apóstolos, mas os estudiosos dos pergaminhos concluíram que não, após anos de minuciosos estudos por centenas de especialistas. Os pergaminhos estão escritos em hebraico, na sua maioria, mas também há trechos em aramaico e grego.
Além dos Pergaminhos do Mar Morto, outros importantes documentos ficam expostos no interior da cúpula. O Código de Alepo é o mais antigo manuscrito hebraico, compreendendo o texto completo da Bíblia. Escrito na Palestina no início do século X, o documento foi mais tarde transferido para o Egito e, posteriormente, para Alepo, na Síria, onde a comunidade judaica local guardou o documento com zelo por mais de seiscentos anos. O Código de Alepo foi provavelmente o manuscrito usado por Maimônides, quando ele estabeleceu as regras de escrita da Torah.
Vale a pena visitar o jardim das esculturas, com obras de importantes artistas como Picasso e esculturas magníficas como a escultura da Ahava (amor) e em especial a exposição de arqueologia, que conta com alguns dos objetos mais importantes achados nos extensos trabalhos arqueológicos realizados por todo o país, objetos de vários períodos históricos inclusive bíblicos.
Uma interessante exposição é a exposição judaica que conta com uma grande coleção de objetos judaicos provenientes de todo o mundo: kearot de Pessach (pratos de páscoa), capas para os rolos da Torah, yad(mão) para Torah, Meguilot Esther (livros de Ester), estes objetos variavam muito de um lugar para outro e de fase da história para outra mas preservaram a sua identidade através do tempo e das regiões no mundo. Além de objetos judaicos e hebraicos, o museu reconstruiu duas sinagogas em sua área. Antes das sinagogas serem demolidas, uma na Índia e outra na Itália, o Museu Israel desmontou as sinagogas e as trouxe a para serem remontadas na área do museu.
A impressionante exposição de artes inclui um riquíssimo acervo, com quadros de Rembrandt, Pissaro, Picasso, Bouguereau, Renuar e outros. Muitas obras de arte podem ser vistas na web site do Museu de Israel.
Gólgota/ Jardim do Túmulo/Lugar da Caveira
O lugar fora da cidade de Jerusalém, embora perto dela, em que Jesus Cristo foi pregado na estaca. (Mt 27:33; Jo 19:17-22; He 13:12) Perto dali havia uma estrada e um túmulo num jardim (Mt 27:39; Jo 19:41). “Gólgota”, ou “Lugar da Caveira”, também é chamado “Calvário” (Lu 23:33, ALA, So), do latim calvaria (caveira). O registro bíblico não declara que Gólgota se encontrava num morro, embora mencione que alguns, de certa distância, observaram Jesus ser pregado na estaca — Mr 15:40; Lu 23:49.
No quarto século EC, o Imperador Constantino deu a tarefa de determinar o lugar em que Jesus foi pregado na estaca, e o seu túmulo, ao Bispo Macário, o qual decidiu que o então existente templo de Afrodite (Vênus), de Adriano, fora erigido neste lugar. Por conseguinte, Constantino ordenou a demolição deste templo e a construção duma basílica, a qual mais tarde passou por uma expansão e modificação, tornando-se a Igreja do Santo Sepulcro. Escavações arqueológicas feitas desde 1960 indicam que esta área era usada como lugar de sepultamento, e acredita-se que era assim no primeiro século EC. De modo que a Igreja do Santo Sepulcro se ergue agora num dos lugares tradicionais de Gólgota e do túmulo de Jesus. Embora situado dentro das atuais muralhas de Jerusalém, acredita-se que o lugar tenha estado fora das muralhas da cidade nos dias de Jesus.
Outro lugar sugerido como local em que Jesus foi pregado na estaca é um promontório a 230 m ao NE do Portão de Damasco, agora conhecido como Calvário de Gordon (Jardim do Túmulo). Foi sugerido, em 1842, como o lugar verdadeiro de Gólgota e do túmulo de Jesus. Em 1883, esta localização foi endossada pelo General C. G. Gordon, herói militar britânico. A identificação baseava-se em conjectura. Gabriel Barkay, à base de evidência arqueológica disponível, declara que o Túmulo do Jardim, bem perto, que freqeentemente é apontado para turistas como lugar de sepultamento de Jesus, originalmente fora escavado e usado em algum tempo no oitavo ou no sétimo século AEC. Isto não se enquadraria na descrição de João 19:41, de “um túmulo memorial novo, no qual ainda ninguém tinha sido deitado”. — Biblical Archaeology Review (Revista de Arqueologia Bíblica), março/abril de 1986, p. 50.
A identificação de Gólgota frequentemente se tem tornado uma questão religiosa, emocional. No entanto, não há nenhuma evidência arqueológica de que o “Calvário de Gordon” seja o lugar certo. Quanto ao sítio marcado pela Igreja do Santo Sepulcro, sua identificação leva em conta achados arqueológicos, mas baseia-se na maior parte em tradição que data do quarto século. A respeito desta última localização, a revista Biblical Archaeology Review (maio/junho de 1986, p. 38) declara: “Talvez não possamos ter certeza absoluta de que o lugar da Igreja do Santo Sepulcro seja o local do sepultamento de Jesus, mas certamente não temos nenhum outro lugar que possa reivindicar isso com mais peso do que este.” De modo que a identificação continua sendo conjectura.
JERUSALÉM/MONTE DAS OLIVEIRAS/BASÍLICA DA AGONIA (GETHESÊMANE) – (BASÍLICA DE TODAS AS NAÇÕES)
A Basílica da Agonia, projeto de Antonio Barluzzi, foi inaugurada em 1924. Por causa das contribuições de vários países recebeu também o nome de ‘Basílica das Nações’. A igreja tem 12 cúpulas nas quais estão colocados símbolos de países que ajudaram na construção, inclusive o Brasil. No projeto original a igreja ficaria sobre os fundamentos da basílica medieval do Santíssimo Salvador descobertos entre 1891 e 1901. No entanto, ao iniciarem os trabalhos descobriram-se restos de uma basílica bizantina construída por volta do ano 385 pelo imperador Teodósio e da qual falam antigos testemunhos de peregrinos. Nesta basílica havia uma rocha diante do altar sobre a qual, segundo a tradição, Jesus teria orado ao Pai para que fosse afastado dele o cálice da paixão. Por este motivo, na última hora, a direção do santuário foi modificada, de tal modo que a rocha da agonia novamente ficasse diante do altar. Os traços da basílica bizantina ficaram conservados em mármore preto no piso da atual igreja.
O interior da igreja é de penumbra, simbolizando assim a noite mais escura na vida de Jesus. Um grande mosaico na abside central representa Jesus em oração sobre a rocha da agonia. Nas duas naves laterais os mosaicos representam o beijo de Judas e a prisão de Jesus.  Por alguns vidros no piso é possível ver o piso antigo em mosaico que serviu, aliás, como modelo para o piso atual. O grande mosaico na fachada representa igualmente a agonia de Jesus.

Neste dia, a grande surpresa foi a visita ao Museu do Holocausto, o que causou uma forte e indescritível emoção. As imagens registradas são do ambiente externo, uma vez que não é permitido fotografar no interior. 

O SANTUÁRIO DO LIVRO
Construído em 1965, está encarregado de preservar e expor à visitação os Rolos (Manuscritos) do Mar Morto. Entre seus pertences  estão oito dos mais completos Rolos jamais descobertos, como também um dos manuscritos bíblicos hebraicos históricamente mais importantes– o Aleppo Codex do 10° século da Era Comum.  Planejado pelo arquiteto americano nascido na Áustria Frederick Kiesler e pelo arquiteto americano Armand Bartos, o Santuário é considerado como uma obra mestra da arquitetura moderna e um ponto de referência internacional. É o único exemplo permanente da obra de Kiesler, planejado para comunicar a experiência física do descobrimento dos Rolos do Mar Morto e a metafórica dimensão  do conteúdo dos Rolos. Em 2004, por intermédio da generosidade de Herta & Paul Amir, Los Angeles, e a Fundação D.S. & R.H. Gottesman, Nova York, o Santuário foi submetido a uma completa restauração arquitetônica e uma modernização dos sistemas de ambientação e exposição, de forma a assegurar condições ótimas para um extenso período de preservação  e exposição dos Rolos e de outros tesouros do Santuário. O Dr. Adolfo Roitman é o chefe do Santuário do Livro e o curador dos Rolos do Mar Morto.

Os Rolos do Mar Morto – Datando desde o terceiro século AEC até o século primeiro da EC, os Rolos do Mar Morto oportunizam um inestimável entendimento da história judaica da antiguidade e do contexto histórico do qual emergiu o cristianismo. Os conteúdos dos Rolos podem ser classificados em três grandes grupos: bíblico, apócrifo e sectário. Os manuscritos bíblicos compreendem  umas duzentas cópias de livros bíblicos, representando as mais antigas evidências de textos bíblicos. Os manuscritos sectários cobrem uma ampla variedade de gêneros literários, incluindo comentários bíblicos, escrituras legais religiosas e textos litúrgicos. Os manuscritos apócrifos   comprendem obras que antes eram conhecidas únicamente em traduções ou que não eram ainda conocidas.
Extraídas das cavernas de Qumran no Deserto da Judeia, em 1947, os Rolos do Mar Morto estão entre os manuscritos bíblicos mais antigos do mundo e talvez sejam o patrimônio cultural mais importante do Estado de Israel. O descobrimento dos Rolos representa um momento decisivo no estudo da história do povo judeu na antiguidade, trazendo à luz um tesouro sem precedente da literatura bíblica. 
Eruditos chegaram à conclusão de que alguns dos Rolos foram escritos ou copiados por uma seita asceta judia, identificados pela maioria dos eruditos como os essênios, que existiram ao lado dos fariseus, saduceus, primeiros cristãos, samaritanos e zelotes. Juntos, estes grupos constituíram a sociedade judaica na Terra de Israel durante o final de período helenístico-romano, desde a ascensão dos macabeus até a destruição do Segundo Templo (167 AEC-70 EC). Outros Rolos foram escritos ou copiados em outros lugares e formaram parte da biblioteca da comunidade de Qumran. A maioria dos Rolos foram escritos em hebraico, com um pequeno número em aramaico e grego. A mairia dos Rolos foram escritos em pergaminho, com raros exemplares em papiros – e, apesar de que alguns poucos Rolos foram descobertos intactos, a maioria sobrevive como fragmentos.                                                  



































 À noite, foi realizada uma reunião para Cerimônia de Certificação.







 13º Dia – 17/04 – Jerusalém / Tel-Aviv
Após o café da manhã partimos para nosso programa. Os locais visitados foram organizados de acordo com a melhor dinâmica para o dia dentro da cidade.
Museu das Terras Bíblicas: Introdução à Arqueologia e a Geografia Bíblica; Cidade de Davi: Últimos achados arqueológicos; Túnel de Ezequias; a Rua Herodiana; a Fortaleza da Acra; Davidson Center; Modelo 3D; Muralha do tempo de Salomão; o Caminho das Mikveths; Muro Ocidental, conhecido como Muro das Lamentações; e Monte do Templo (Esplanada das Mesquitas). Em seguida, rumo a Tel Aviv.
TÚNEL DE EZEQUIAS
O Túnel de Ezequias ou Tunel de Siloé é um túnel ou aqueduto que foi escavado na rocha sólida, escavado embaixo de Ophel na cidade de Jerusalém por volta de 701 a.C. durante o reinado de Ezequias. Foi provavelmente um alargamento de uma caverna pré-existente e é mencionado na Bíblia. É descrito por peritos como uma das grandes proezas de engenharia da antiguidade.
O túnel,1 que conduzia2 a Fonte de Giom3 até a piscina de Siloé, foi projetado para agir como um Aqueduto para abastecer de água a Jerusalém durante um sítio organizado pelos assírios, conduzidos por Senaquerib.
Construção e história
A Inscrição de Siloé retirada da parede do Túnel de Siloé.
O túnel é um longo corte que estende-se por 533 metros, dentro da proteção das muralhas da cidade, e usando diferenças entre cada extremidade, água tem chega a uma altura media de 30 cm (0.6%) ao longo de seu comprimento da fonte até ao reservatório de Siloé. De acordo com a Inscrição de Siloé encontrada dentro dele, o túnel foi escavado por duas equipes, cada uma começando por cada extremidade do túnel e encontrando-se então no meio.
Segundo Dan Gill, do Instituto de Pesquisas Geológicas de Israel,4 os construtores alargaram canais naturais que atravessavam a rocha onde havia rachaduras ou onde havia diferentes camadas juntas. Com o tempo, esses canais se alargaram bastante, o que explica o motivo da altura do túnel variar em até 5 metros, e como os trabalhadores, usando lâmpadas a óleo, podiam respirar. sua habilidade pode ser observada, no êxito da escavação com um declive suave de apenas 31,5 cm em todo o túnel.
Na passagem da inscrição lê-se: “E esta foi a maneira em que foi perfurado: — Enquanto [. . .] ainda (havia) [. . .] machado(s), cada homem em direção ao seu companheiro, e quando ainda faltavam três côvados para serem perfurados, [ouviu-se] a voz dum homem chamando seu companheiro, pois havia uma sobreposição na rocha à direita [e à esquerda]. E quando o túnel foi aberto, os cavouqueiros cortaram (a rocha), cada homem em direção ao seu companheiro, machado contra machado; e a água fluiu da fonte em direção ao reservatório por 1.200 côvados, e a altura da rocha acima da(s) cabeça(s) dos cavouqueiros era de 100 côvados.5
Esta inscrição registra a construção do túnel; de acordo com o texto, o trabalho começou em ambas as extremidades simultaneamente e prosseguiu até que os construtores se encontraram no meio.
Está claro no próprio túnel que diversos erros direcionais foram feitos durante sua construção.6 Descobertas recentes a respeito de outro túnel relacionado - Canal de Warren - sugeriram que o túnel pode ter sido um alargamento de uma caverna pré-existente em Carste.
Função e origem
A cidade de Ophel em Jerusalém, está numa montanha, e é naturalmente defensível de quase todos os lados, mas sofre do inconveniente que sua fonte principal da água fresca, a fonte de Giom, fica ao lado do penhasco ao contrário do vale do Cédron. Isto apresenta uma fraqueza militar principalmente para os muros da cidade, que para ser suficientemente defensiva, deve necessariamente deixar de fora a fonte de Giom, assim a cidade ficaria sem uma fonte de água fresca em caso de cerco.
A Bíblia registra que no tempo do rei Ezequias (século XIII a.C.), que a temível Assíria teria colocado sítio à cidade, obstruindo a água de fonte fora da cidade e desviando-lhe através de uma canaleta no túnel de Siloé.7 Entretanto, sabe-se agora (até à data de 1997) que o sistema do Canal encontrado por Charles Warren era abastecido ainda mais pela fonte de Giom;8
Em 1899, um outro túnel, também conduzindo da fonte de Giom à área do Reservatório de Siloé, mas por uma rota mais direta, foi encontrado. Este último túnel é conhecido agora como o canal médio da idade do bronze, (devido a sua idade estimada); Determinou-se que foi construído por volta de 1800 a.C. (na Idade do Bronze). É essencialmente uma vala profunda de 20 pés na terra, onde depois a construção foi coberta por grandes lajes da rocha (escondidas na folhagem). É mais estreito, mas ainda pode-se andar em grande parte de todo seu comprimento. Além disso à saída, perto do túnel de Siloé , a canaleta tinha diversas saídas pequenas que molhavam os jardins do Vale da torrente do Cédron.9 O túnel de Ezequias age como substituto para este canal, mas a facilidade para que um assaltante descubra as lajes da cobertura é um ponto fraco.
O túnel de Ezequias, descoberto em 1838 pelo académico bíblico americano Edward Robinson de Edward Robinson (scholar), pode ser visto e percorrido completamente hoje em toda sua extremidade.
Os versículos da Bíblia que relacionam-se ao Túnel de Ezequias são estes:
"Ora, o restante dos atos de Ezequias, e todo o seu poder, e como fez a piscina e o aqueduto, e como fez vir a água para a cidade, porventura não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Judá?" II Reis 20:2
"Quando Ezequias viu que Senaqueribe tinha vindo com o propósito de guerrear contra Jerusalém, teve conselho com os seus príncipes e os seus poderosos, para que se tapassem as fontes das águas que havia fora da cidade; e eles o ajudaram. Assim muito povo se ajuntou e tapou todas as fontes, como também o ribeiro que corria pelo meio da terra, dizendo: Por que viriam os reis da Assíria, e achariam tantas águas?" II Crônicas 32;2-4

"Também foi Ezequias quem tapou o manancial superior das águas de Giom, fazendo-as correr em linha reta pelo lado ocidental da cidade de Davi. Ezequias, pois, prosperou em todas as suas obras." II Crônicas 32:2
O modelo de Jerusalém na época do Segundo Templo
Cobrindo cerca de um acre (4.200 metros quadrados), o modelo recria a Jerusalém tal como teria sido antes de 66 EC, ano em que explodiu a grande revolta judaica contra os romanos, que culminou com a destruição da cidade de Jerusalém e do Templo no ano 70. O modelo, portanto, evoca a antiga cidade em seu auge. Nesses tempos Jerusalém teve sua maior extensão, cobrindo uma área de aproximadamente 445 acres (185 hectares), mais do dobro do tamanho da atual Cidade Velha de Jerusalém. Construída numa escala de 1,50 metros, esta recriação de Jerusalém, antes de mais nada, está construída com a mesma pedra calcária – assim chamada pedra de Jerusalém – com que a cidade foi construída em tempos antigos e segue sendo construída nos dias de hoje. Inaugurada publicamente em 1966, o modelo foi construído por iniciativa de Hans Kroch, dono do Hotel Holyland, em memória de seu filho Jacob, que morreu na Guerra de Independência de Israel, e sob a direção do professor Michael Avi-Yonah da Universidad Hebraica de Jerusalém. Três fontes principais orientaram a reconstrução da cidade tal como teria sido durante o século I: escritos antigos, especialmente obras do historiador judeu romano Flávio Josefo, a Mishnah, o Talmud e os Evangelhos; outras cidades antigas escavadas na região que uma vez foi parte do Império Romano; e descobertas arqueológicas na própria Jerusalém.
                   
Ainda que a informação arqueológica disponível na época da construção do Modelo tivesse sido limitada, subsequentes escavações em Jerusalém ajudaram a esclarecer a cidade antiga e guiaram o desenvolvimento adicional do Modelo, que foi restaurado e complementado durante seu translado para o Museu de Israel. Mesmo que este processo continuará no futuro, o Modelo não está dirigido, em primeiro lugar, para demostrar exatidão arqueológica, e sim, para evocar a escala, a arquitetura e a topografia de Jerusalém no crucial período histórico correspondente ao surgimento dos Manuscritos do Mar Morto.

                                               
Após a transferência do pátio do Hotel Holy Land para o campus do Museu de Israel em 2006, o Modelo, junto com o Santuário do Livro, oferece agora ao visitante uma vista enriquecida de Jerusalém durante o período seminal do desenvolvimento formativo simultâneo do Judaísmo e do Cristianismo.

O KOTEL HA'MAARAVI (MURO OCIDENTAL)
O Zohar [cometários místicos sobre a Torá] ensina que a Presença Divina jamais abandonará o Kotel ha'Maaravi e, portanto, este nunca será destruído. Principal ruína do Segundo Templo de Jerusalém, o Muro Ocidental se tornou seu símbolo, expressão da dolorosa saudade do povo judeu por seu santuário. É o local onde a história de nosso povo está viva, sendo suas pedras impregnadas dos anseios e das preces judaicas através dos séculos.
O Kotel Ha'Maaravi não era, como muitos acreditam, um dos muros do Segundo Templo, propriamente dito. Era a muralha ocidental dentre as quatro que serviam de arrimo à plataforma construída por Herodes, ao redor do Monte do Templo, o chamado Monte Moriá, em cujo topo se erguia, majestoso, o Grande Templo de Jerusalém. Este muro, uma imponente estrutura de 488m de comprimento, 40m de altura e 4,6 m de profundidade, era o setor que ficava mais próximo ao Kodesh ha-Kodashim, o Sagrado dos Sagrados, local mais recôndito do Templo, recinto cuja santidade era tal que somente o Cohen Gadol [sumo-sacerdote] tinha permissão de lá entrar, uma única vez durante o ano, em Yom Kipur [Dia da Expiação].
Enquanto o Beit Hamikdash [Templo] ainda estava de pé, três vezes por ano os judeus faziam peregrinação à cidade do Rei David. Mas, após sua destruição pelos exércitos romanos em 70 E.C., orações passaram a substituir as oferendas. Dispersos pelos quatro cantos do mundo, os judeus rezavam três vezes ao dia na direção de Jerusalém e, mais especificamente, do Muro Ocidental, chamado em hebraico simplesmente de Ha'Kotel, o Muro. Isto porque, segundo nossa tradição mística, as orações de todas as partes do mundo dirigem-se a Jerusalém, especificamente ao local onde se erguia o Templo Sagrado - centro do universo espiritual, ponto onde se encontram o Infinito e o finito - e de lá ascendem aos Céus.
No decorrer dos 19 séculos em que Jerusalém esteve sob dominação estrangeira, a face da cidade se transformou. O cristianismo e o islamismo, religiões também monoteístas, declararam-na "santa" e reivindicaram seu direito de posse. Mudou também o Monte do Templo, sobre o qual os muçulmanos construíram mesquitas.
O Kotel, considerado lugar sagrado apenas para os judeus, também sofreu transformações. Desde a destruição do Segundo Templo, ficou abandonado, suas pedras contando triste história de devastação e ruína. Por longos períodos foi proibido aos judeus se aproximar do Monte do Templo e do Kotel; e, quando isso lhes era permitido, eram-lhes impostas inúmeras restrições. A partir do século 15, o Muro começou a afundar cada vez mais para dentro da terra, diminuindo assim a parte visível. Era um enclave escondido entre casas e pátios; um muro de magníficas pedras grandes, em uma ruela estreita. Era assim que aparecia em desenhos e gravuras nos lares judaicos. Local sagrado de orações sem igual, o Kotel tornara-se o símbolo do Grande Templo.
Durante todos esses séculos de dominação estrangeira, nosso povo nunca abandonou seu Templo destruído. Rezava por sua reconstrução e milhares de judeus, quaisquer fossem os perigos, iam até Jerusalém - fosse apenas para olhar o Muro de longe ou, quem sabe, tocar suas pedras e abrir sua alma e coração nas preces que ali invocavam a Deus. Banhando-o com suas lágrimas, imploravam pela redenção do povo judeu. Por causa das lágrimas derramadas, o Kotel ficou conhecido como "Muro das Lamentações". Sua grandiosidade ficou escondida e sua estatura reduzida até 1967, quando o Exército de Israel reconquistou a cidade e reunificou Yerushalaim.
 O Monte do Templo e o povo judeu
Remonta ao início dos tempos a ligação entre o Povo Judeu e Jerusalém, a cidade que abriga o Monte Moriá, "o local escolhido por Deus para Sua Morada".
É no topo do Monte Moriá que está localizada uma saliência rochosa chamada Pedra Fundamental, Even Shetiyá. Segundo o Talmud, é assim chamada por ser o alicerce de todo o Universo, o ponto a partir do qual Deus iniciou o ato de Criação. Sobre esta pedra nosso patriarca Abraão amarrou seu tão amado filho, Isaac; e Jacob sonhou com a escada que o levaria aos céus. E quando o Templo Sagrado foi construído sobre o Monte, que passou a ser chamado de Monte do Templo, em hebraico Har Habayit - o "Monte da Casa", era sobre essa exata saliência rochosa, a Even Shetiyá, que ficava a Arca da Aliança.
Duas vezes construído, o Beit Hamikdash duas vezes foi destruído. O Grande Templo, construído no ano de 1000 a.E.C pelo rei Salomão, foi arrasado no dia 9 de Av de 586 antes desta Era, pelos exércitos de Nabucodonosor, rei da Babilônia. Após um exílio de 70 anos, liderados por Ezra e Nehemias, os judeus voltaram a Eretz [Terra] Israel e reconstruíram seu Santuário. Passaram-se 350 anos até que o local foi outra vez profanado pelo rei selêucida, Antíoco IV. Após longos anos de lutas sangrentas, os hasmoneus o retomaram e, como relembramos a cada ano em Chanucá, purificaram-no e o reinauguraram.
Governantes hasmoneus o ampliaram, mas foi o rei Herodes (que reinou de 37 até 4 a.E.C.) que transformou o Segundo Grande Templo numa das mais magníficas construções da época. Tamanha era sua beleza e imponência que, dizia-se então, que nunca se vira tal magnificência. O grande construtor de Jerusalém ampliou ainda mais a área do complexo do Templo - que passou a englobar as colinas de Antônia - e podia acolher, segundo o historiador Flávio Josefo, 300 mil pessoas. Quatro imponentes muros de arrimo circundavam a grandiosa plataforma sobre a qual assomava, majestoso, o Segundo Grande Templo. Uma ponte sobre o vale, que separava a Cidade Alta de Jerusalém do Monte do Templo, era a única forma de acesso ao mesmo para os que viviam nessa parte da cidade. Em sua obra, Flávio Josefo chama o vale de Tyropoeon.
Exatamente na mesma data, 9 de Av, do ano de 70 desta Era, após sufocar a Grande Revolta judaica, legiões romanas tomaram Jerusalém, sob o comando de Tito, incendiando e destruindo o Templo e suas muralhas. Tentaram derrubar o Muro Ocidental, mas só conseguiram destruir a parte superior, permanecendo intacto o restante em toda a sua extensão.
Como ensina nossa tradição mística, o Muro Ocidental jamais será destruído. Conta o Midrash que durante a construção do Templo do rei Salomão, o trabalho foi dividido entre todos os Filhos de Israel, dele participando toda a população. A construção do Kotel coube aos mais pobres, que deram tudo de si ao trabalho com grande amor e afinco. Como não podiam contratar trabalhadores, colocaram as pedras, uma a uma, com as próprias mãos. Quando os inimigos estavam prestes a destruir o Templo, Anjos desceram das Alturas e, abrindo suas asas sobre o Muro, proclamaram: "Este Muro, fruto do suor dos pobres, nunca há de ser destruído".
No ano 135 de nossa Era, os romanos sufocaram a revolta de Bar Kochba e seus seguidores. Jerusalém foi devastada e, os judeus, dispersos pelo mundo. O imperador romano Adriano reconstrói Jerusalém como cidade pagã, que passa a se chamar Aelia Capitolina. Proíbe os judeus de lá viverem, proibição que oficialmente perdurará por cinco séculos, até a chegada dos muçulmanos.
Quando, no século 4, o cristianismo se torna a religião oficial do Império Romano, a situação dos judeus se torna mais precária. Os imperadores de Bizâncio, Império Romano do Oriente, que governaram a região de 330 da E.C. até a invasão muçulmana, declararam Jerusalém "sagrada para todos os cristãos". O Monte do Templo, considerado local sagrado par excellence dos judeus, deliberadamente desprezado e abandonado durante todo o período bizantino, continuaria em ruínas por outros três séculos mais.
No ano de 638 é a vez de seguidores de outra religião monoteísta, o islamismo, tomarem Jerusalém. Os judeus obtêm permissão para voltar a viver na cidade, mas continuam banidos do Monte do Templo, que, dessa vez, desperta a atenção e o respeito dos invasores muçulmanos. As muralhas que sustentavam a plataforma erguida por Herodes são reconstruídas e, em 691, o Domo da Rocha é erguido no exato lugar onde ficava o Templo, onde está a Pedra Fundamental. Vinte anos mais tarde, na extremidade sul do monte, é construída a Mesquita Al-Aqsa. Os governantes, no entanto, permitiram aos judeus orar no local onde, à época do Segundo Templo, erguia-se um dos portões que davam acesso ao Monte do Templo. Localizado próximo ao eixo do Kodesh Hakodashim, o "Sagrado dos Sagrado", o local foi transformado em uma sinagoga chamada Ha Me'ará, A Gruta usada por mais de 450 anos.
Nos séculos após a conquista árabe, Jerusalém passa por grandes turbulências e inúmeras transformações. O mundo cristão quer Jerusalém de volta e, em 1099, a cidade é conquistada pelos cruzados. As mesquitas do Monte são transformadas em igrejas e os judeus são novamente banidos.
É Saladino, sultão do Egito e Síria, quem, em 1187 expulsa os cruzados de Jerusalém e os muçulmanos voltam a dominar a cidade. Somente durante um breve período (1229-1244), os cruzados conseguem retomar a cidade - mas não o Monte do Templo. Jerusalém fica, assim, dividida: os cristãos governavam-na praticamente toda, enquanto os muçulmanos ficam com o controle do Monte do Templo. A divisão era possível porque o vale de Tyropoeon fisicamente separava a Cidade Alta do Monte do Templo. Quando, em 1249, os mamelucos, dinastia islâmica, tomam a cidade, seus chefes decidem, por motivos estratégicos, executar grandes modificações urbanísticas nos arredores do Monte. As medidas coincidiam com a ambição religiosa de fazer de Jerusalém uma fortaleza do Islã, transformando o Monte do Templo em um local sagrado para o mundo muçulmano.
Usando como fundações as pedras das fileiras mais baixas do Muro, os mamelucos ergueram imensas sub-estruturas, ao longo do Muro Ocidental e da Grande Ponte perpendicular ao mesmo, e, sobre estas, fazem crescer um bairro muçulmano, até hoje existente. Tudo que havia abaixo do novo nível desapareceu, soterrado. Consequentemente, ficam ocultas as magníficas pedras do Muro Ocidental. Durante séculos os muçulmanos continuaram a construir edifícios religiosos e casas, conseguindo uma unidade topográfica entre o Monte e a Cidade Alta de Jerusalém.
Os mamelucos dominaram Jerusalém até 1517, quando a cidade foi conquistada pelos turcos otomanos que a governaram durante 400 anos. No século 19, vários judeus procuram, em vão, obter o controle do Muro. Na década de 1850, tentam comprá-lo e Sir Moses Montefiori busca todas as maneiras de obter, ao menos, permissão de colocar bancos ao longo do Muro. Nenhuma das iniciativas teve sucesso. Se os judeus colocavam uma mesa para ler a Torá ou qualquer outro símbolo religioso judaico perto do Muro, as autoridades religiosas islâmicas exigiam do governo turco sua imediata remoção. E o conseguiam, apesar do fato de que o Muro não tinha valor religioso algum para os muçulmanos.
Em 1917 inicia-se o Mandato Britânico sobre a então Palestina. Nos 30 anos seguintes, os conflitos entre judeus e muçulmanos se tornam cada vez mais violentos, principalmente no tocante ao Muro - que as autoridades islâmicas viam como símbolo do anseio nacionalista judaico. A oposição sobre a presença dos judeus no Kotel intensificava-se, a cada dia.
Para denegrir o local, o Mufti de Jerusalém converte a rua em uma passagem para animais. Consegue convencer as autoridades britânicas a proibir o uso de objetos sagrados judaicos diante do Kotel. Passa, também, a incitar a população árabe, afirmando que os sionistas pretendiam controlar o Muro. Em agosto de 1929 a violência explode; uma multidão enfurecida ataca os judeus que rezavam no Kotel, destruindo os objetos sagrados que encontra. Tal explosão de violência repete-se em uma série de confrontos, dias depois.
A questão se torna "internacional" e, para resolver "o problema do Muro", instituem-se duas comissões - uma britânica e outra da Liga das Nações. No verão de 1930 do Hemisfério Norte é realizado o chamado "Julgamento do Muro". Segundo deliberação das comissões, os muçulmanos eram "por direito" os únicos "proprietários" do Muro. Mas as comissões deram aos judeus a permissão de lá rezar e de colocar assentos na rua. Era proibido, porém, tocar o Shofar nas proximidades do Muro.
Apesar de todas as concessões, os árabes não ficaram satisfeitos. Os judeus, por sua vez, aceitaram a deliberação, com exceção do último ponto. E, a cada ano, ao término do Yom Kipur, apesar de saber que policiais britânicos interviriam, jovens judeus tocavam o Shofar, como manda nossa tradição milenar.
Nem mesmo em 1948, com o renascimento de Israel, Estado judeu soberano após 1900 anos de dispersão, os judeus conseguiram reaver "seu Muro". Teriam, contudo, que esperar mais 19 anos para voltar a tocar as pedras do tão amado Kotel. Na guerra que as nações árabes lançaram sobre Israel logo após ter declarada a sua independência, os combatentes judeus não conseguiram manter a Cidade Velha de Jerusalém. E, enquanto durou a ocupação árabe dessa parte da cidade, apesar dos acordos internacionais de cessar-fogo que, supostamente, garantiriam livre acesso aos lugares sagrados, foi vedado aos judeus aproximar-se do Muro.
Nem à distância podiam olhá-lo - até o dia 7 de junho de 1967, quando pára-quedistas das Forças de Defesa de Israel reconquistaram o Muro Ocidental, sonho de todo um povo. Ao som do Shofar, a Rádio de Israel anunciou: "Har Habait Beiadeinu" - o Monte do Templo está em nossas mãos!"
Jerusalém foi, enfim, reunificada. A exposição do Muro se tornou marco da soberania de Israel e de todo o povo judeu. Coube ao Ministério para Assuntos Religiosos a responsabilidade pelo local. Após abrir e limpar toda a área adjacente, foi criada a Esplanada do Muro Ocidental. No primeiro dia de Shavuot daquele mesmo ano, 250 mil judeus foram rezar no local. Mas, ainda não era suficiente. Israel queria expor o Muro em toda a sua extensão e imponência. Escavações minuciosas removeram cuidadosamente 19 séculos de terra e entulho, revelando as magníficas estruturas há milênios soterradas. Atualmente, após décadas de intensos trabalhos arqueológicos, um incrível labirinto de túneis, arcos e passagens, que permaneceram intocados durante séculos, finalmente descortinava-se ao mundo.




























14º Dia 18/04 – Tel Aviv/Londres
Manhã livre em Tel Aviv. À tarde, partida para o aeroporto. Conexão em Londres.
Tel Aviv, uma cidade cosmopolita, marca o término da nossa viagem de estudos ao Egito e a Israel. Ao longo de duas semanas, refizemos boa parte da caminhada dos antigos hebreus, libertos da escravidão nas férteis terras do delta do Nilo. Acompanhamos sua jornada pela exótica e desoladora paisagem da península do Sinai, e percorremos boa parte da terra da promessa, a "terra que mana leite e mel". Vimos como a ocupação da terra não se deu sem confrontos e conflitos com as populações radicadas na área, como os cananeus e filisteus; conflitos que se fazem presente nos dias de hoje na disputa entre israelenses e palestinos pela posse de territórios e heranças culturais e religiosas tão ricas para a história da humanidade. Participaram da viagem alunos e ex-alunos da EST, além de membros de diversas confissões cristãs de diversos estados brasileiros, sobretudo da região de Brasília. Fomos assessorados por competentes guias locais, que nos brindaram com seus conhecimentos, e refletimos sobre as tradições bíblicas relacionadas aos sítios visitados.












15º Dia 19/04 – São Paulo: Desembarque.
Guardando, com imenso carinho, no coração e na mente, muitas imagens, impressões, palavras e silêncios dessa viagem maravilhosa que a Providência me oportunizou.


Outros momentos